22/02/2016

Rentabilidade dos campos de petróleo cai pela metade em 2015

A queda do preço do petróleo em 2015 derrubou pela metade a rentabilidade dos maiores campos produtores do país, de acordo com relatório da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).

Segundo especialistas, a situação será ainda pior neste início de 2016, quando o barril chegou a ser negociado abaixo de US$ 30.

No quarto trimestre de 2015, com o petróleo cotado, em média, a US$ 43,68 por barril, a receita líquida dos dez maiores campos produtores operados pela Petrobras foi de R$ 7,1 bilhões.

É um recuo de 49% com relação à receita de igual período de 2014. Nessa mesma comparação, a cotação do petróleo caiu 43%.

O cálculo da receita líquida de produção de cada campo é feito pela ANP para definir o pagamento da participação especial, espécie de Imposto de Renda de campos de petróleo, que rendeu, no ano passado, R$ 10,7 bilhões.

Considera o valor da produção de cada projeto e os custos operacionais declarados pelas empresas.

O professor do Instituto de Economia da UFRJ Edmar Almeida explica que a receita líquida calculada pela ANP difere do lucro das empresas com cada projeto, pois se baseia em um preço de referência estabelecido pela agência.

“Mas é um bom indicador da evolução da rentabilidade dos projetos”, diz.

O relatório da ANP mostra que os campos do pós-sal na bacia de Campos, mais antigos, vêm sofrendo mais com a desvalorização do petróleo.

Isso ocorre, segundo especialistas, porque têm produção declinante e petróleo de qualidade inferior, com menor valor de venda.

O segundo maior produtor do país, Roncador, por exemplo, teve queda de 55,9% na receita líquida entre o fim de 2014 e o fim de 2015, mesmo que a produção tenha se mantido estável no período.

No final do ano passado, porém, os maiores campos do pré-sal começaram a sentir os impactos. A receita líquida de Lula, o maior do país, caiu 21,6% entre o terceiro e quarto trimestres, mesmo com aumento da produção.

A Petrobras disse trabalhar para melhorar a eficiência dos projetos e que os custos de bens e serviços vêm acompanhando a queda do preço do petróleo.