22/03/2016

Belo Monte pode ser única vencedora em leilão de abril

Marcado para 29 de abril, o leilão de energia “A-5”, que negocia contratos para início de fornecimento cinco anos a frente – registrando recorde de projetos inscritos, com 1.055 empreendimentos e 47,6 mil megawatts (MW) de capacidade instalada – pode ficar marcado por outra marca: a de ter, pela primeira vez, apenas uma usina vencedora: Belo Monte. Isso pode ocorrer caso a hidrelétrica participe da concorrência, ofertando mais que o dobro da energia que deverá ser demandada no leilão.

Segundo especialistas, devido ao fraco desempenho da economia brasileira, o “A-5” deverá ter demanda máxima de 400 megawatts médios de energia. Esse volume é inferior à metade do montante de energia que Belo Monte possui descontratado e que deve ser incluído no leilão, da ordem de 900 MW médios.
Belo Monte foi beneficiada com uma mudança na regra dos leilões de geração que permite que usinas já existentes vendam a energia descontratada “A-5”, no qual historicamente é permitida a participação de apenas projetos novos.

Pelas regras dos leilões de energia, assim que a oferta atinge a demanda definida, o certame é concluído. E o último projeto negociado tem toda sua energia contratada, mesmo que ela supere a demanda do leilão. Para o próximo “A-5”, porém, há uma mudança que impede que Belo Monte comercialize um volume além daquele demandado. Com isso, é provável que a hidrelétrica continue com um bloco da ordem de 500 MW médios descontratado.

A Norte Energia, empresa responsável por Belo Monte, precisa negociar os 900 MW médios para destravar um montante de R$ 2 bilhões relativo a um financiamento aprovado pelo BNDES. Em entrevista ao Valor no início do ano, José Aílton de Lima, diretor da Chesf e integrante do conselho de administração da Norte Energia, a parcela de R$ 2 bilhões está condicionada à apresentação de um contrato de energia.

A Chesf possui 15% no capital do Norte Energia. Os demais sócios são as estatais Eletronorte (19,98%), Eletrobras; os fundos de pensão Petros (10%) e Funcef (10%); as elétricas Neoenergia (10%) e Amazônia (joint-venture entre Cemig e Light, com 9,77%); a Aliança Norte Energia (formada por Vale e Cemig, com 9%); a Sinobras (1%) e a J. Malucelli Energia (0,25%).

Questionada pelo Valor se a companhia participará do leilão e sobre o que fará com a energia que eventualmente continuar descontratada, a Norte Energia respondeu apenas que “questões envolvendo comercialização de energia e eventuais participações em leilões são estratégicas e, portanto, confidenciais”, em nota.

No início do mês, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, admitiu que o “A-5” deverá ter pouca demanda. O volume, porém, não é revelado para não prejudicar a competitividade do certame. “No A-5 e A-3 [leilão que negocia contratos com início de fornecimento três a frente], vamos ter pouca demanda porque grande parte das distribuidoras está sobrecontratada”, afirmou.

De acordo com o presidente da consultoria Thymos Energia, João Carlos Mello, a demanda do leilão “A-5” deverá ser entre 200 MW médios e 400 MW médios.