16/03/2016

Emissão de CO₂ para energia fica estagnada em 2015

As emissões de dióxido de carbono (CO2) para geração de energia ficaram inalteradas pelo segundo ano seguido em 2015, mesmo com a continuidade de crescimento na economia global, segundo novos dados, num sinal de que os esforços para combater as mudanças climáticas podem estar dando frutos antes do esperado.

O aumento no uso de fontes de energia renováveis no mundo foi o principal motivo para a estabilidade das emissões, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), refletindo o aumento dos investimentos mundiais em energias “limpas”, que em 2015 chegaram ao recorde de US$ 328,9 bilhões.

Mais de 90% da nova eletricidade gerada em 2015 veio de fontes renováveis, maior percentual desde 1974, sendo que metade do crescimento veio de usinas eólicas, de acordo com a organização de monitoração com sede em Paris.
“Isso não tem precedentes. Isso é enorme”, disse o diretor-executivo da AIE, Fatih Birol, ao “Financial Times”. “Isso afeta não apenas as mudanças climáticas, mas também alimenta expectativas conflitantes mundialmente.”

Os dados, que serão divulgados hoje, chegam um ano depois de a AIE ter anunciado que as emissões mundiais para geração de energia tinham inesperadamente estagnado em 2014. Foi a primeira vez em 40 anos que isso ocorreu na ausência de uma recessão mundial. As emissões caíram de forma clara nos EUA e na China, os dois maiores poluidores, apesar de eles terem crescido no ano passado.

Anteriormente, a poluição de CO2 decorrente da geração de energia tinha caído ou estagnado só em anos de crise econômica, quando houve queda na demanda mundial por bens e energia.

As emissões globais precisam ter uma grande queda, e não apenas ficar estagnadas, para que as metas do acordo de mudanças climáticas internacionais – acertado por quase 200 países em Paris, em dezembro – sejam alcançadas.
O pacto visa a impedir que a temperatura do planeta suba mais de 2°C em relação ao período pré-industrial. Mas já houve um aquecimento de quase 1°C, e 2015 foi, de longe, o ano mais quente desde que a série histórica contemporânea teve início, por volta de 1800.

O carvão continua a dominar o abastecimento mundial de energia elétrica, respondendo por 39% da geração em 2015, contra menos de 24% atribuídos a fontes renováveis, a começar pela hidrelétrica.

Mas, num possível sinal da mudança rumo a uma energia mais “verde”, o setor energético emitiu pouco mais de 32 bilhões de toneladas de CO2 em 2015, segundo estimativa preliminar da AIE. O volume é virtualmente o mesmo de 2014, embora a economia global tenha crescido mais de 3% em ambos os anos. “Isso significa que o descolamento entre emissões e o crescimento da economia está agora confirmado”, disse Birol.

A AIE dissera um ano atrás não estar claro se a paralisação do crescimento das emissões em 2014 seria um fenômeno extraordinário, embora pesquisas subsequentes de outros órgãos tenham sugerido que tudo indicava que a poluição de 2015 tinha ficado estagnada.

Na China, as emissões caíram 1,5% no ano passado, pois o país, o maior consumidor mundial de carvão, reduziu seu uso do combustível fóssil e continuou migrando para indústrias menos intensivas em utilização de energia. O ritmo do expansão da economia chinesa, além disso, caiu para seu nível mais baixo de mais de 20 anos.

Birol disse ser significativo que a geração a carvão forneceu menos de 70% da energia elétrica consumida na China em 2015, dez pontos a menos que apenas quatro anos atrás. O consumo mundial de carvão caiu cerca de 2,3%, maior recuo em 45 anos.