03/03/2016

Geração eólica atrai financiamentos de bancos privados

Os financiamentos de projetos no segmento de energia devem chegar ao fim de 2016 representando 50% da carteira do Santander Brasil, afirmou Diogo Berger, chefe do setor de “project finance” do banco. Dentro dos esforços na área de energia, a fonte eólica é “o foco do foco” do banco, e deve chegar a 70% a 75% dos financiamentos previstos para o ano.

Só a Casa dos Ventos, desenvolvedora de projetos de energia eólica pertencente à família do empresário cearense Mário Araripe, deve fazer três emissões de debêntures de infraestrutura neste ano, somando R$ 500 milhões, disse Ivan Hong, diretor financeiro da empresa.

As declarações foram feitas em uma conversa com a imprensa no contexto do 2º Encontro de Energia Eólica do Santander.
“É uma fonte muito segura. O Brasil tem inclusive características melhores do que outros países, e, mesmo quando comparamos com outros negócios de infraestrutura ou outras matrizes de energia no país, vemos o risco muito mitigado na matriz eólica”, disse Berger. “É uma composição que nos faz crer que é um negócio muito bom”, completou.

De acordo com Lucas Araripe, diretor de novos negócios da Casa dos Ventos e filho de Mário, a empresa fez duas emissões desse tipo no ano passado, que somaram cerca de R$ 200 milhões.
Desde o fim de 2014, quando foram viabilizadas as emissões desse tipo, foram realizadas apenas quatro delas, incluindo as duas feitas pela Casa dos Ventos.
“É um mercado importante, o BNDES tem reduzido as garantias, então essa é uma fonte adicional”, afirmou Berger, se referindo às emissões, que contam com benefícios como isenções fiscais.

O banco estatal de desenvolvimento reduziu o volume de crédito concedido para essas operações ao mesmo tempo em que houve um aumento do custo das emissões, afirmou Hong.
“O custo flutuou pra cima, as emissões acabaram custando mais”, disse. Segundo Hong, outro fator que aumentou o preço é o interesse do mercado, pois os investidores estão mais conservadores, demandando spreads maiores. “São duas componentes que têm feito o custo das debêntures subir”, afirmou Hong.
A avaliação se vale ou não a pena fazer as emissões cabe a cada projeto, disse ele. A Casa dos Ventos emitiu no volume esperado no ano passado, o que, de acordo com Araripe, aconteceu pelo fato de os projetos serem “robustos”, reduzindo o risco.

Hoje, as debêntures de infraestrutura estão compondo um total de 10% a 15% do total dos investimentos da Casa dos Ventos. “De um tempo pra cá, houve uma redução do BNDES, então isso ajuda a complementar”, explicou.
A questão da transmissão de energia e dos projetos em atraso é um risco para o interesse dos investidores no setor de energia eólica. “Há alguns parques eólicos afetados e tem potencial efeito nos próximos leilões”, disse Berger.

Para ele, a Casa dos Ventos, por ter um volume grande de projetos, pode ser beneficiada pelo cenário. “Eventualmente os parques deles podem ter um valor ainda maior do que teriam num contexto de normalidade”, disse.
“Temos projetos que conectaríamos em pontos já existentes da rede, isso foi critério para o lance. Isso também vale para o futuro, como temos opções de projetos em diferentes áreas, vamos escolher projetos que tenham esse risco mitigado”, disse Araripe.