11/03/2016

GNL americano para o Brasil pode virar rotina

A primeira carga de GNL exportada pelos EUA, que está prevista para chegar ao Brasil na próxima semana, deve inaugurar um período de crescimento das exportações de gás da América do Norte para a os países sul-americanos. É no que acredita Edward Chow, pesquisador sênior do Centre for Strategic and International Studies (CSIS).

O especialista acredita que uma das razões para a consolidação dessa nova rota de GNL é a diferença do preço do gás comercializado nos EUA e na América do Sul. Enquanto os americanos compraram o energético por uma média de US$ 2,62/MMBtu no Henry Hub, em 2015, as distribuidoras brasileiras, por exemplo, pagaram entre US$ 10/MMBtu e US$ 6/MMBtu à Petrobras no período.
“Creio que haverá muito gás vindo para a América do Sul nos próximos anos”, disse Chow, durante apresentação nesta quinta-feira (10/3) no evento Geopolítica da Energia, promovido pelo Consulado dos EUA, no Rio de Janeiro.

A Petrobras comprou a primeira carga de GNL exportada dos Estados Unidos Continental (Lower 48, que exclui Alasca e Havaí), prevista para chegar ao terminal de regaseificação da Bahia na próxima semana.

A embaixadora dos EUA no Brasil, Liliana Ayalde, disse que o momento vivido pelos EUA, que assumem um papel importante no fornecimento de petróleo mundial em função da revolução do shale, deve ser aproveitado pelo Brasil. “É uma boa hora para os países aprofundarem suas parcerias no setor de energia”.
Apesar das restrições internas, os Estados Unidos é exportador de GNL há anos, inclusive para o Brasil, e a compra feita pela Petrobras, na verdade, marca a entrada em operação do primeiro de uma série de novos terminais de GNL em construção na costa do Golfo do México.

Os investidores (Cheniere, no caso da venda para Petrobras) precisaram de aval do governo e de agências regulatórias para exportar o GNL, que é uma revindicação de empresas americanas de olho na grande oferta interna de gás e nos preços praticados internacionalmente.

Atualmente, os fornecedores de GNL ao Brasil são Catar, Emirados Árabes, Espanha, Nigéria, Noruega, Portugal, Trinidad e Tobago, Holanda e Reino Unido. O preço médio praticado em 2015 foi da ordem de US$ 9/MMBtu (FOB).