03/03/2016

Reservatórios das hidrelétricas apresentam recuperação e armazenamento ultrapassa 50% no subsistema SE/CO

O Sistema Interligado Nacional (SIN) conta com sobra estrutural de energia elétrica de 12.899 MW médios para atender a carga prevista, avaliou o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) em sua reunião mensal, realizada nesta quarta-feira (02/03) e presidida pelo Secretário-Executivo do Ministério de Minas e Energia, Luiz Eduardo Barata.

De acordo com o Comitê, do total de 7.223 MW de capacidade de geração previstos para 2016, já entraram em operação 1.463 MW, totalmente provenientes de fontes renováveis, dos quais 480 MW desde a última reunião do CMSE.

Para final de março/2016, a previsão para os  níveis de armazenamento dos reservatórios é de  57% no Sudeste/Centro-Oeste, 34% no Nordeste, 85% no Sul e 57% no Norte.

Veja a íntegra da nota do colegiado:

Nota Informativa de 02 de março de 2016

O sistema elétrico apresenta-se estruturalmente equilibrado, devido à capacidade de geração e transmissão instalada no país, que continua sendo ampliada com a entrada em operação de usinas, linhas e subestações, considerando-se tanto o critério probabilístico (riscos anuais de déficit), como as análises com as séries históricas de vazões, para o atendimento da carga prevista para 2016, de 64.573 MW médios de energia.

O Sistema Interligado Nacional – SIN dispõe das condições estruturais para o abastecimento do País, o que se comprovou com a garantia de suprimento eletronergético dos últimos anos, mesmo com a ocorrência de uma situação climática desfavorável nas principais bacias hidrográficas onde se situam os reservatórios das regiões Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste.

Considerando o risco de déficit de 5%, conforme critério estabelecido pelo Conselho Nacional de Política Energética – CNPE, há sobra estrutural de cerca de 12.899 MW médios para atender a carga prevista. Em 2016 entraram em operação 1.463 MW do total de 7.223 MW de capacidade de geração previstos, dos quais 480 MW desde a última reunião deste Comitê, conforme listado a seguir:

Segundo informações do CEMADEN e INPE/CPTEC, no mês de fevereiro de 2016 as chuvas estiveram acima da média nas bacias dos rios Uruguai, Iguaçu e Paranapanema, e abaixo da média nas demais bacias do SIN. Consequentemente, as afluências verificadas foram 86%, 92%, 166% e 68% da média histórica das regiões Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste, Sul e Norte, respectivamente.

Em consonância com o deliberado por este Comitê em sua 144ª reunião, iniciou-se o ano de 2015 com o despacho pleno do parque térmico, por segurança energética, o que envolveu térmicas com custo variável unitário (CVU) acima de R$1.100/MWh. Na 158ª reunião, em agosto de 2015, o CMSE deliberou por efetuar o desligamento das usinas térmicas com CVU acima de R$600/MWh, por segurança energética.

Destaca-se, no entanto, que a evolução das condições hidroenergéticas do Sistema Interligado Nacional no período úmido 2015/2016 tem sido significativa, tendo o nível de armazenamento do reservatório equivalente da região SE/CO atingido, em 29 de fevereiro de 2016, 50,9% de sua capacidade máxima. De acordo com os resultados do Programa Mensal de Operação – PMO do mês de março de 2016, considerando os valores mais conservadores da previsão de vazões, os níveis de armazenamento dos reservatórios equivalentes das Regiões Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste, Sul e Norte, atingiriam, no final de março, valores da ordem de 57%, 34%, 85% e 57% respectivamente.

Dentro desse contexto, considerando-se a permanência da evolução do atual cenário energético, na 165ª reunião (extraordinária), realizada em 25 de fevereiro de 2016, o CMSE deliberou pela paralisação do despacho, por garantia de suprimento energético, das unidades térmicas com CVU superior a R$250/MWh, a partir de 1º de março de 2016.

Na referida reunião extraordinária, o CMSE deliberou também pelo desligamento das usinas térmicas do SIN com CVU superior a R$211/MWh, despachadas fora da ordem de mérito por garantia de suprimento energético, a partir de 1º de abril de 2016.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS deverá continuar efetuando o acompanhamento das condições hidroenergéticas do SIN visando, em função da sua evolução, propor ao CMSE a definição da geração térmica necessária para a garantia do atendimento energético.

Considerando a configuração do sistema do PMO de março de 2016, e simulando-se o desempenho do sistema utilizando as 83 séries de energias afluentes observadas no histórico[i] e considerando tanto o despacho das térmicas por ordem de mérito quanto o despacho das térmicas até o CVU de R$250/MWh em março de 2016, obtêm-se valores para o risco de qualquer déficit de energia iguais a 0,0%, para as regiões Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste[ii]. Com base nas análises efetuadas, observa-se que as condições de suprimento de energia do Sistema Interligado Nacional melhoraram em relação ao mês anterior.

Não obstante, mesmo com o sistema em equilíbrio estrutural, ações conjunturais específicas podem ser necessárias, em função da distribuição espacial dos volumes armazenados, cabendo ao ONS a adoção de medidas adicionais àquelas normalmente praticadas, como aquelas adotadas em 2014 e 2015, buscando preservar os estoques nos principais reservatórios de cabeceira do SIN.

Além das análises apresentadas, outras avaliações de desempenho do sistema, utilizando-se o valor esperado das afluências e anos semelhantes de afluências obtidas do histórico, indicam suficiência de suprimento energético neste ano.

O CMSE, na sua competência legal, continuará monitorando, de forma permanente, as condições de abastecimento e o atendimento ao mercado de energia elétrica do País.

Ministério de Minas e Energia – MME

Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL

Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis – ANP

Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE

Empresa de Pesquisa Energética – EPE

Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS

Centro de Pesquisas de Energia Elétrica – CEPEL (convidado).

[i] Conforme recomendado no documento “Sumário Executivo do Programa Mensal de Operação – PMO de Março – Semana Operativa de 01/03/2014 a 07/03/2014, de 28/02/2014” e também utilizado como critério na elaboração do Planejamento Anual da Operação Energética – PEN.

[ii] Simulando-se o desempenho do sistema por meio de 2.000 séries sintéticas de afluências e considerando tanto o despacho das térmicas por ordem de mérito, quanto o despacho das térmicas até o CVU de R$250/MWh em março de 2016, encontram-se valores para o risco de qualquer déficit de energia iguais a 0,2% e 0,0% para as regiões Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste, respectivamente.