10/03/2016

São Paulo terá a primeira usina solar flutuante do Brasil a partir de maio

A primeira usina fotovoltaica do Brasil a utilizar a tecnologia de placas flexíveis e sistemas flutuantes, que está sendo construída na cidade de Rosana, em São Paulo, deve entrar em operação em maio deste ano. O secretário estadual de Energia e Mineração, João Carlos Meirelles, vistoriou nesta quinta-feira, 10 de março, as obras de conclusão da usina localizada na hidrelétrica Engenheiro Sergio Motta (Porto Primavera), que também contará com a primeira usina eólica do Estado.

O sistema de placas flutuantes produzirá energia por meio de painéis fixados em flutuadores específicos no reservatório da usina de Porto Primavera. “Nosso objetivo é testar essas tecnologias inovadoras para poder fornecer esse conhecimento para as empresas do setor e popularizar o uso das energias renováveis. A instalação de usinas solares em meio aquático representam um grande potencial para o Brasil e podem ajudar comunidades ribeirinhas e isoladas a terem energia”, explica o secretário de Energia e Mineração, João Carlos Meirelles.

O projeto, que foi iniciado em maio de 2014, recebeu investimento de R$ 22,9 milhões da Cesp – Companhia Energética de São Paulo, por meio de recursos do programa de P&D da Aneel.

Para desenvolver as pesquisas dos últimos dois anos, de fundamental importância para a complementaridade dessas fontes, consideradas intermitentes, foi prevista a instalação de duas plantas com painéis solares rígidos de 250 kW em terra e 25 kW em sistema flutuante, e outras duas plantas com painéis solares flexíveis com 250 kW em terra e 25 kW em sistemas flutuantes.

“A planta solar rígida em terra entrou em operação em dezembro de 2015 e em janeiro gerou 103.600 kW/h, o suficiente para abastecer mais de 500 residências com consumo mensal de 200 kW/h”, destaca o subsecretário de Energia Renováveis, Antonio Celso de Abreu Junior.

A planta solar flexível em terra está em fase final de montagem e a instalação dos sistemas flutuantes começou em novembro de 2015. Todas as plantas serão instaladas até o final de maio de 2016, quando entrará em operação. A previsão de conclusão total do projeto, englobando a planta eólica, é agosto deste ano.

Estão sendo instalados 100 painéis rígidos flutuantes de 250 W cada um e 180 flexíveis flutuantes de 144 W cada. A área ocupada pelas placas flutuantes é de aproximadamente 500 m², e o reservatório possui 2.250 Km².

Este é o primeiro projeto de usina solar flutuante instalado em lago de usinas hidrelétricas no mundo, que permite aproveitar as subestações e as linhas de transmissão das hidrelétricas e a área sobre a lâmina d’água dos reservatórios. Projetos similares ainda estão sendo iniciados nas cidades de Balbina, no Amazonas, e em Sobradinho, na Bahia.

Também está sendo instalada no local a primeira planta eólica do Estado de São Paulo, que terá capacidade de cerca de 500 kW. “São Paulo não tem o mesmo potencial eólico que o nordeste do país, mas é aqui que estão instalados os fabricantes desse setor. Temos que estudar essa energia para fomentar sua geração no Brasil e a expansão do setor fabril no Estado de São Paulo”, comenta Meirelles.

As usinas fotovoltaica e eólica de Rosana irão produzir até 180.000 kWh/mês. Essa energia é suficiente pata atender 900 residências por mês. 

Micro e Mini Geração
Começou a valer em março de 2016 a nova norma da Aneel que estabelece o sistema de compensação de energia elétrica e permite que o consumidor instale sistemas como o solar fotovoltaico, microturbinas eólicas ou outra renovável e troque a energia com a distribuidora local. A partir de agora está autorizado a microgeração distribuída com potência instalada de até 75 kW e minigeração distribuída com potência de 75 kW até 5 MW, sendo que a hídrica poderá chegar até 3 MW.

O aumento do prazo dos créditos dos consumidores aumentou de 36 para 60 meses e poderão ser utilizados para abater o consumo de unidades do mesmo titular situadas em local diferente de onde se encontra o sistema de geração desde que dentro da mesma área da concessionária.

Outra novidade é a geração compartilhada, onde diversos interessados podem se unir em consórcio ou cooperativa para a instalação de um sistema com o objetivo de reduzir a conta de energia. Há ainda a possibilidade de instalação de sistemas de geração em condomínios onde a energia poderá ser repartida entre os condôminos em porcentagens definidas pelos próprios consumidores.

Os procedimentos para a instalação foram simplificados com formulários padrão para a solicitação e a distribuidora teve o prazo de conexão para essas usinas, reduzido. Agora os sistemas de até 75 kW têm até 34 dias para a conexão ante os 82 dias anteriormente previstos.

Incentivo ao setor
Em agosto de 2015, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, publicou dois decretos que incentivam a produção de energia elétrica por micro e minigeradores e de peças para os setores de energia solar e eólica.

O decreto nº 61.439/2015 concede isenção de ICMS sobre a energia elétrica fornecida para microgeradores e minigeradores na quantidade correspondente à energia elétrica injetada na rede de distribuição. Já o decreto nº 61.440/2015, concede isenção de ICMS para a produção de equipamentos destinados a geração de energia eólica e solarimétrica. A medida isenta o ICMS das partes e peças de aerogeradores, geradores fotovoltaicos e torres para suporte de energia eólica.

Também estão contemplados pela medida os conversores de frequência de 1.600 kVA e 620 volts; fio retangular de cobre esmaltado de 10 por 3,55 milímetros e barra de cobre 9,4 por 3,5 milímetros.

São Paulo e as energias renováveis
São Paulo vem ampliando sua importância na geração de energia fotovoltaica. A primeira usina do Estado é a de Tanquinho, no município de Campinas, com potência de 1.082 KWp e capacidade de gerar 1,6 GWh por ano. Essa energia é suficiente para suprir cerca de 1.300 residências com consumo de 100 KWh/mês cada. A segunda usina fotovoltaica está na Cidade Universitária da USP, na capital paulista.

O Estado também conta com empreendimentos que estão sendo instalados em Dracena e Guaimbê com potência de 270 MWp. Existem ainda em São Paulo, conectados ao sistema, 111 empreendimentos de micro e mini geração distribuída.