30/03/2016

Usina de Belo Monte poderá vender sobra de energia 50% mais caro

A usina de Belo Monte, instalada no rio Xingu (PA), poderá vender as sobras de energia cerca de 50% mais cara do que no leilão original, realizado em 2010. O novo pleito foi marcado para 29 de abril deste ano.
Segundo a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), a hidrelétrica poderá vender no próximo leilão eletricidade ao custo de até R$ 115,57 por megawatt-hora (MWh). Há seis anos, o consórcio vencedor, a Norte Energia, ofertou energia a R$ 78,9 por MWh.

A Aneel aprovou, nesta terça-feira (29), o edital para o leilão de geração A-5, para empreendimentos que entrarão em operação em cinco anos, ou seja, em 2021.
Para o leilão, foi criada pelo Congresso e aprovada pelo governo uma regra que permite que empreendimentos já prontos vendam energia com caráter de energia nova, que é mais cara.
Até a criação dessa brecha, usinas já construídas só podiam vender eletricidade em leilões de energia existente, que pagam menos, pois os custos de construção já deveriam ter sido pagos pelo primeiro pleito.

Conforme a Folha revelou, a regra foi criada especificamente para que Belo Monte pudesse destravar os investimentos restantes para a conclusão da obra. O BNDES exigiu novas garantias à usina para que liberasse os R$ 2 bilhões restantes do financiamento.
Em 2010, a Norte Energia, empresa que venceu o leilão de Belo Monte, ofereceu no pleito a venda de energia a R$ 78,9 por MWh, o menor custo de geração até o momento.

Agora, os 20% de energia que poderão ser oferecidos no leilão poderão ser vendidos com valor até 50% superior ao do leilão original.
No leilão também poderão ser vendidas outras usinas hidrelétricas, termelétricas e eólicas com outorga, mas que não tenham entrado em operação até o final de abril de 2015. Na maioria das usinas, o volume de geração é residual. Nenhuma se compara ao tamanho de Belo Monte.

Os empreendimentos que poderão vender energia realmente nova no pleito receberam permissão para vender energia mais cara do que Belo Monte. Para as hidrelétricas e eólicas, o limite é de R$ 227 por MWh, e para termelétrica o teto é de R$ 290 por MWh.