28/04/2016

ABNT lança selo verde visando redução do carbono e uso racional da água

Selos que certificam a qualidade de produtos e serviços são ferramentas cada vez mais em uso na disputa pela confiança do mercado. No caso das certificações ambientais, os chamados “selos verdes” se tornam ainda mais valiosos, especialmente nos mercados globais. O mais recente deles, lançado no início de abril em São Paulo, é o Selo Ambiental de Medição e Certificação da Pegada de Carbono de Produtos. Trata-se de um sistema elaborado pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) em parceria com a Carbon Trust, assessoria internacional sem fins lucrativo sediada em Londres.

O projeto foi patrocinado pela Embaixada Britânica no Brasil e desenvolvido em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil (Mdic). Segundo a ABNT, o sistema baseia-se em normas internacionais reconhecidas e foi projetado juntamente com os seus beneficiários finais, que são as indústrias brasileiras. O novo selo tem foco na redução das emissões de gases de efeito-estufa e no consumo mais eficiente da água.

“O selo permite às empresas identificar seus pontos de melhoria, reduzindo o consumo de energia, matéria-prima e insumos, direcionando tudo para uma economia mais verde”, diz Guy Ladvocat, gerente de certificação de sistemas ABNT.

“Isso também permite às companhias acesso a mercados internacionais que muitas vezes são mais exigentes com relação às questões ambientais. Uma certificação desenvolvida com base em processos reconhecidos em outros países abre as portas para novos mercados”, completa.

Segundo Ladvocat, o programa foi montado de forma que qualquer organismo de certificação possa participar. “Estamos em contato com o Instituto Nacional de Metrologia Qualidade e Tecnologia para que esse programa tenha o respaldo do organismo acreditador brasileiro. Como foi um projeto piloto, somente a ABNT fez a verificação, mas a partir do lançamento outros organismos podem participar”, conta.

Para Carlos Gadelha, secretário  de Desenvolvimento e Competitividade Industrial do Mdic, a participação do ministério no processo de implantação do novo selo teve como objetivo oferecer ferramentas que permitam à indústria nacional se apropriar das vantagens econômicas de baixo carbono ao mesmo tempo em que promove a eficiência no uso de recursos produtivos. “Ao medir os impactos de seus produtos, as empresas brasileiras poderão buscar mercados externos tradicionalmente mais exigentes em sustentabilidade, como o Reino Unido e os países escandinavos”, diz.

A Novelis, líder mundial em laminados e reciclagem de alumínio, foi uma das empresas que recebeu o certificado da ABNT. “Estamos comprometidos com a redução da pegada de carbono e uso de água em todo o processo industrial”, diz Rogério Almeida, vice-presidente de operações da Novelis América do Sul. “Cada vez mais nossos clientes e os clientes de nossos clientes têm valorizado produtos com uma pegada de carbono mais eficiente. O fato de podermos usar esse selo certamente capitaliza nosso produto e nos ajuda a abrir portas”, afirma.

De acordo com Almeida, produtos com baixo índice de carbono e alto conteúdo reciclável são uma vantagem competitiva nos mercados em que a Novelis atua. “Além disso, participar do projeto reforça o compromisso da companhia em alcançar a meta global de 50% de redução na emissão de gases de efeito estufa até 2020”, afirma.

A Braskem, que também participou da certificação da ABNT, já reduziu, entre 2008 e 2015, suas emissões de gás efeito estufa (GEE) em 8%, ou seja, 5,3 milhões de toneladas de CO2, o equivalente a 35 milhões de árvores. “A empresa participou da certificação com o objetivo de colaborar com a transparência de informações nas suas relações com clientes e estimular o uso dessa prática”, diz Jorge Soto, diretor de desenvolvimento sustentável da Braskem.

“Entendemos que esse selo, que tem o aval do governo e está associado a outras instituições de reconhecimento internacional, dará mais visibilidade ao desenvolvimento tecnológico que é nosso diferencial comparativo, nos aferindo muito mais credibilidade. O selo também tem um ganho interno de comunicação”, acrescenta Soto.