28/04/2016

AES lança companhia de serviços de inovação

Com menos de um mês à frente da AES Brasil, o venezuelano Julian Nebreda anuncia hoje o primeiro grande negócio da companhia sob seu comando, em uma iniciativa da companhia para aproveitar as oportunidades em meio à crise e investir em um novo vetor de crescimento.

A companhia, controlada pela americana AES Corp, lança hoje a AES Ergos (energia em grego), para integrar soluções no setor. A meta é alcançar uma receita acumulada de R$ 1,2 bilhão até 2020, afirmou em entrevista exclusiva ao Valor Nebreda, que assumiu o comando do grupo no país no começo de abril no lugar de Britaldo Soares.

Com o novo investimento, a AES Brasil ganha mais um braço de crescimento no país. No ano passado, a companhia reestruturou o controle da AES Tietê, permitindo que a geradora lidere os investimentos do grupo. A AES Ergos também vai permitir a expansão dos negócios, ao mesmo tempo em que integra soluções relacionadas às áreas de operação das outras companhias do grupo.
“Eu creio que em 10 anos essa empresa vai ser maior que a distribuidora”, disse Nebreda. Em 2015, a Eletropaulo teve receita líquida de R$ 13,7 bilhões.
Estudo feito em parceria com uma consultoria identificou um mercado potencial com receita de R$ 19 bilhões para os serviços de soluções nesse nicho de mercado não regulado em 2020.

“Queremos ser a referência deste mercado em três a cinco anos. Teremos uma atuação nacional, mas é relevante dizer que 12% deste mercado fica em áreas que já atuamos”, disse Teresa Vernaglia, que vai comandar a AES Ergos, se referindo aos Estados São Paulo e Rio Grande do Sul, onde ficam, respectivamente, AES Eletropaulo e AES Sul.

“Estamos no meio da crise, e o anúncio mostra nossa confiança no Brasil”, disse Nebreda, destacando que estão sendo dedicados recursos financeiros e humanos significativos na nova companhia. Para ele, lançar o negócio neste momento demonstra que o grupo enxerga oportunidades. “A crise atual é uma razão para sermos mais inovadores e mostrarmos mais nosso compromisso com o cliente”, afirmou.

A AES Ergos não é exatamente nova, mas novo nome e estrutura para a AES Serviços. “A mudança do nome tem objetivo de capturar o momento que vemos no mercado”, disse Teresa. Além do nome, a empresa ganhou escala e houve reorganização interna, com criação de novas áreas e contratações. Nasce com 600 funcionários.

A nova companhia vai implementar soluções integrando todos os segmentos de energia no mercado não regulado, aproveitando o desenvolvimento de novas tecnologias como as relacionadas à geração distribuída e às baterias para estocagem de energia.

As tratativas para criação da AES Ergos começaram em 2014, quando a holding viu no Brasil um mercado atrativo para desenvolvimento de soluções em energia. O foco, por enquanto, é em atender grandes clientes, como empresas, mas a companhia também vê oportunidades em clientes de baixa tensão quando há escala, como em condomínios, por exemplo.

Outro mercado potencial detectado é a prestação desses serviços de manutenção da rede e de atendimento para as distribuidoras de energia. Hoje, já há esse tipo de serviço para as distribuidoras do grupo, mas o negócio deve crescer e a atender outras concessionárias.
O foco não será apenas em inovações tecnológicas, mas também na implementação das soluções. “O objetivo é centralizar as soluções para as necessidades dos clientes”, disse Nebreda.

A Ergos vai fazer desde o diagnóstico do cliente ao projeto, sendo também responsável pela implementação, operação e manutenção desse projeto, disse Teresa.

Outros serviços que serão prestados pela companhia são, por exemplo, de modernização em iluminação, promoção de eficiencia energética, e o uso de baterias para estocar energia. Antes de assumir a presidência da AES Brasil, Nebreda estava à frente da divisão da AES na União Europeia e sua equipe liderava os esforços para implementação do sistema de baterias na Irlanda do Norte e na Holanda.