26/04/2016

Especialistas apresentam propostas para uso das águas da Billings

Os múltiplos usos da água da represa Billings foram discutidos nesta terça-feira, 26/4, em audiência pública da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, que é presidida pelo deputado Roberto Tripoli (PV).

“O requerimento dos deputados Luiz Turco e Ana do Carmo, para a realização desta audiência pública, foi aprovado por unanimidade na comissão”, destacou Trípoli. Ele e o deputado Chico Sardelli (PV), também presente à reunião, apontaram ainda a importância de discutir o tema da despoluição do rio Pinheiros.

“O que os debatedores, entidades e lideranças discutirem aqui vai servir de base para um relatório que a comissão vai encaminhar às autoridades”, adiantou Ana do Carmo.

O secretário adjunto de Energia, arquiteto Ricardo Toledo Silva, lembrou que a Billings tem 1,1 bilhão de metros cúbicos de reservas. Ele elencou entre os aproveitamentos estratégicos do sistema hidráulico Tietê/Pinheiros/Billings a despoluição da bacia do rio Pinheiros, o controle de inundações, a ampliação da disponibilidade no reservatório da Billings para abastecimento de água e a ampliação da segurança energética.

Como faz parte do sistema Billings o conjunto de tubulações que leva parte da água para girar as turbinas da usina hidrelétrica Henry Borden, Toledo observou que uma estratégia de interesse do Estado poderia ser aumentar a energia gerada na usina e, com a receita gerada nessa operação, obter recursos para subsidiar a despoluição do rio Pinheiros.

Bombeamento para controlar vazão

O reservatório Billings, com 120 km2 de área inundada máxima, foi concebido inicialmente, nas décadas de 1920/1930, para atuar na regularização das águas da bacia do Alto Tietê, lembrou o engenheiro Sadalla Domingos, professor da Escola Politécnica da USP. Gradativamente, o Estado foi dando a ele novas funções.

Essa situação, segundo Domingos, culminou, na década de 1990, com resoluções que permitem o bombeamento de água do rio Pinheiros para a Billings apenas com a finalidade de controle de vazão, e não mais apenas pelo critério de geração energética.

Domingos considerou propício ao debate do tema o momento atual, em que o governo do Estado enviou à Assembleia o Plano Estadual de Recursos Hídricos e no qual a Sabesp finaliza o Plano Diretor de Abastecimento de Água.

Como sugestões, ele propôs que o reservatório Billings, recuperado, com sua bacia protegida e seu sistema de geração hidrelétrico modernizado, assuma as seguintes funções: receber águas de reuso; regularização das vazões da bacia do Alto Tietê; geração hidrelétrica na base e na ponta; e distribuição de água bruta para as regiões metropolitanas de São Paulo e da Baixada Santista.

O arquiteto Renato Tagnin, professor do curso de Gestão Ambiental do Senac definiu o uso atual da Billings como “zona de sacrifício”, por ser o reservatório o destino final de resíduos não tratados e por seu papel como dreno para as enchentes na região metropolitana.

Fonte: Agência de Notícias – Alesp