25/04/2016

PCHs têm potencial de uma Belo Monte

As restrições ambientais para grandes hidrelétricas e o momento delicado pelo qual passam as principais empreiteiras do país, devido aos efeitos da operação “Lava Jato” da Polícia Federal, abrem espaço para a expansão de projetos hidrelétricos de menor porte, chamadas pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), geralmente de baixo impacto ambiental e de baixa complexidade para construção. De acordo com a Associação Brasileira de Fomento às Pequenas Centrais Hidrelétricas (Abrapch), há um potencial de 10 mil megawatts (MW) – quase uma “Belo Monte” – de projetos de PCHs já desenhados, a espera de oportunidades de negócios.

Uma dessas oportunidades será em 29 de julho, quando ocorrerá o primeiro leilão de energia de reserva (LER) do ano. Na ocasião, serão negociados separadamente contratos de usinas solares fotovoltaicas e de PCHs. Os contratos das hidrelétricas terão prazo de 30 anos, com início de entrega de energia em 1º de março de 2020.

“A dificuldade das PCHs é que elas não têm escala. Mas elas voltaram justamente porque o governo enxergou que o somatório de PCHs é maior do que nossa parte em Itaipu [7 mil MW]. Esse somatório passa a ser interessante e gera mais empregos e tem mais distribuição de renda. Considero essas PCHs como as micro empresas do setor elétrico”, disse o presidente da Abrapch, Walmor Alves.
Justamente por não ter escala, as PCHs têm custo proporcional superior ao das grandes e médias usinas. Por isso há a necessidade de leilão específico. Segundo Alves, o custo médio de uma PCH é de R$ 6,5 milhões a R$ 7 milhões por megawatt instalado. Para efeito de comparação, o custo da hidrelétrica de Teles Pires (MT) é de R$ 2,7 milhões por megawatt. Com isso, o preço da energia da PCH também é mais alto, de R$ 280 a R$ 300 por megawatt-hora (MWh).

“O LER [leilão de reserva] é um espaço de contratação extremamente conveniente para todas as fontes, pois o planejador consegue calibrar a proporção que ele deseja de cada fonte”, diz Márcio Severi, novo presidente da Associação Brasileira de Geração de Energia Limpa (Abragel).

De acordo com ele, sobre as PCHs, outro ponto favorável é que esses projetos são conectados diretamente à rede das distribuidoras. Dessa maneira, eles agregam mais confiabilidade ao sistema.

Para dar sustentabilidade para a cadeia de fornecedores de PCHs, praticamente 100% nacional, Severi defende que sejam implantados cerca de 500 MW por ano de pequenas usinas. É exatamente esse volume que está sendo construído de PCHs atualmente no país.

O potencial das PCHs será discutido nesta semana, em evento do Comitê Brasileiro de Barragens (CBDB), em Florianópolis (SC). Na ocasião, também serão discutidas oportunidades de negócios para usinas reversíveis. Na prática, essas usinas utilizam uma “bomba” de madrugada, para transportar água da parte de baixo do rio para o reservatório, para aumentar a geração ao longo do dia. O modelo é compatível principalmente com a geração eólica, podendo reduzir o problema da intermitência da produção da energia dos ventos.

Segundo Alves, o tema é relativamente novo no país e ainda precisa de aprimoramentos econômicos e regulatórios. Hoje existem apenas duas usinas reversíveis no Brasil, com um total de 130 MW.