20/04/2016

Preço do etanol ao consumidor recua em 18 Estados brasileiros

O consumidor está começando a sentir apenas agora o aumento da oferta de etanol no mercado interno. Na última semana móvel encerrada dia 16, os preços do etanol hidratado (utilizado diretamente no tanque dos veículos) caíram em 18 Estados, de acordo com a Agência Nacional de Petróleo (ANP). Houve alta em sete Estados, e em dois, os valores médios ficaram estáveis.

No maior centro consumidor de combustíveis do país, São Paulo, o preço do etanol hidratado caiu 3,6% no período, para R$ 2,607 o litro. Os preços do combustível já vêm em queda há três semanas, mas o recuo mais acentuado ocorreu apenas na semana passada.

Por enquanto, o etanol é negociado a 73% do preço da gasolina no mercado paulista, o que ainda mantém o biocombustível acima da paridade ideal de 70%, que corresponde à eficiência energética do etanol ante o combustível fóssil.

Também foi expressiva a queda do preço do etanol hidratado em Minas Gerais. Em uma semana, o produto caiu 2,6%, para R$ 2,872 o litro. Nessa praça, o preço já vinha em queda há quatro semanas.

Os produtores, porém, vêm sentindo a desvalorização do etanol com mais intensidade e há mais tempo, já que a oferta tem crescido com o avanço do processamento de cana-de-açúcar da safra 2016/17. Conforme levantamento do Cepea/Esalq, o preço do etanol hidratado recebido na usina em São Paulo caiu 4% apenas na semana até o dia 15, para R$ 1,3691 o litro. Em quatro semanas, o preço já recuou 29%.

Segundo especialistas do setor, as distribuidoras estão evitando repassar a queda dos preços do biocombustível para incorporar os ganhos nas margens. Para Bruno Lima, consultor de gerenciamento de risco do setor de açúcar e etanol da FCStone, as distribuidoras ainda não repassaram a queda dos preços aos postos porque estão entregando ao mercado o produto comprado a valores mais elevados.

Lima estima que, conforme os preços mais baixos começarem a chegar ao consumidor, a demanda poderá reaquecer, estancando a queda de preços. Um trader observa que a baixa já é muito elevada nos grandes centros consumidores, o que indica que alguns postos começaram a repassar a retração nas usinas. Ele acredita que o litro deverá cair para entre R$ 2,20 a R$ 2,30 em até três semanas.