25/04/2016

Teles Pires terá capacidade total em maio

Situada na floresta amazônica, na divisa entre Mato Grosso e Pará, a usina de Teles Pires, cuja última turbina entrará em operação em maio, é o típico exemplo do modelo de construção de hidrelétricas em tempos de elevadas exigências ambientais. Desde os investimentos socioambientais, que responderam por cerca de um terço dos R$ 5 bilhões desembolsados no empreendimento, até a pequena área alagada, a usina é relevante do ponto de vista energético, economicamente barata e sustentável ambientalmente. Mais de 75% dos habitantes dos principais municípios afetados aprovam o projeto.

Nona maior hidrelétrica do país, com 1.820 megawatts (MW) de potência – suficiente para atender uma cidade como Belo Horizonte – Teles Pires inundou área de 95 km2. Com isso, a relação área alagada por megawatt instalado é de 0,052, uma das mais baixas do país. Para efeito de comparação, essa relação em Itaipu é de 0,096 e em Tucuruí (PA), de 0,34.

Teles Pires também é relativamente barata. O custo de implantação é de R$ 2,7 milhões por megawatt instalado. Custo baixo que também está no bolso do consumidor. Teles Pires registrou o menor preço de energia da história dos leilões do atual modelo do setor, criado em 2004, de R$ 58,35 por megawatt-hora (MWh).
Quando atingir a plena capacidade, a Odebrecht venderá sua fatia de 0,9% na usina para a Neoenergia

Um dos trunfos econômicos e socioambientais do projeto, segundo Marcos Duarte, diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Companhia Hidrelétrica de Teles Pires (CHTP), está no entorno da usina, caracterizada por latifúndios. Dessa forma, apenas uma família precisou ser realojada.

Esse fator contribuiu ainda para agilizar as obras. “A usina foi construída em 40 meses. É um período muito curto para usinas desse porte”, disse o diretor Administrativo, Financeiro e de Coordenação da CHTP, Luiz Ramires, que trabalhou na implantação de Itaipu, nos anos 1980. Também pesou a favor a realização de medidas socioambientais. Das 100 condicionantes exigidas pelo Ibama, 96% foram cumpridas ou estão em atendimento.

No pico das obras, Teles Pires chegou a contar com 5,5 mil empregos diretos. Devido à característica isolada da usina, os funcionários da obra ficaram instalados em alojamentos, para preservar o local. Com a conclusão das obras, apenas 47 pessoas participam da operação da usina, que também pode ser acionada remotamente.

Em comparação com as principais usinas do país, a paisagem de Teles Pires surpreende pelo pequeno porte da hidrelétrica, considerando sua capacidade de geração. Mas dois dados ressaltam o tamanho da obra: o volume de concreto de 1,1 milhão de m3, o equivalente a 13 estádios do Maracanã, e a quantidade de aço usada, suficiente para construir 2,5 torres Eiffel.

Teles Pires foi concluída quatro meses antes do previsto. A usina, porém, só pode entrar em operação comercial no segundo semestre do ano passado e com uma ligação improvisada. A linha de transmissão que fará o escoamento da energia não ficou pronta até o momento. O consórcio Matrinchã (formado pela chinesa State Grid e a paranaense Copel), dono da linha, improvisou uma ligação do trecho já construído à subestação de Sinop (MT). A medida, porém, permite a operação de apenas uma turbina de Teles Pires por vez, para evitar sobrecarga na rede.
De acordo com Matrinchã, a previsão é que a linha completa seja entregue ainda este mês. Com isso, serão realizados os testes na última turbina da hidrelétrica, possibilitando que as cinco máquinas fiquem disponíveis para o sistema.

Segundo os diretores da CHTP, o atraso não causou impacto financeiro significativo ao empreendimento, porque a geradora conseguiu um termo de compromisso com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em que obteve um “selo” garantindo que a usina estava “apta” para gerar. Essa medida protegeu a empresa de ter que comprar energia no mercado de curto prazo, a preços elevados na época, para honrar seus compromissos. A CHTP também notificou extrajudicialmente a Matrinchã para exigir o ressarcimento dos ônus provocados pelo atraso.
Quando Teles Pires atingir a plena capacidade, por contrato, a Odebrecht venderá sua fatia de 0,9% no consórcio para a Neoenergia (controlada pela espanhola Iberdrola, a Previ e o Banco do Brasil), que possui hoje 50,01%. Os demais sócios são Furnas e Eletrosul, com 24,5% de participação cada.