23/05/2016

AES Tietê planeja estrear em geração solar ainda este ano

Escolhida como braço de expansão da americana AES no Brasil, a AES Tietê deve estrear na geração de energia solar fotovoltaica este ano, com o projeto do complexo que ficará nas proximidades da usina hidrelétrica de Água Vermelha, instalada no rio Grande, na divisa entre os Estados de São Paulo e Minas Gerais.

“A Solar Água Vermelha está pronta e licenciada”, disse ao Valor Ítalo Freitas, presidente da companhia. Segundo ele, o plano é colocar a usina, que soma 180 megawatts (MW) de potência, no segundo leilão de energia de reserva (LER) deste ano, previsto para ser realizado em outubro.

A AES Tietê já tem acordos prévios com fornecedores para o projeto, “inclusive utilizando a capacidade que a AES tem como um grupo mundial, porque há negociações que as vezes são internacionais”, disse Freitas. A empresa também negocia com fornecedores nacionais para cumprir as regras de conteúdo local, para ter acesso ao financiamento do BNDES.

O financiamento do projeto ainda não foi definido, mas a intenção é acessar linhas do BNDES e capital próprio. “A Tietê está muito bem nesse sentido, com espaço para se alavancar”, disse.

O complexo, que está no portfólio da companhia há algum tempo mas ainda não tinha obtido o licenciamento, será formado por duas usinas solares, uma de 30 MW localizada em Minas Gerais e outra de 150 MW do lado paulista. Os projetos serão instalados nas proximidades de Água Vermelha, que tem capacidade para 1.396 MW. De acordo com o relatório de sustentabilidade da AES Tietê de 2015, os investimentos estimados nos dois projetos somam R$ 1,2 bilhão. Os valores podem ter sido alterados por conta do câmbio.

“O grande ponto é a sinergia com a hidrelétrica, é o grande ponto. Vamos ter uma equipe de manutenção e de operação, tudo lá. O sistema de conexão de linhas está ali, na própria hidrelétrica”, disse.

Se confirmada a contratação do projeto, será a primeira geração não hídrica da AES Tietê. Atualmente, a companhia conta com um portfólio de geração composto por nove hidrelétricas e três pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), somando 2.658 MW de capacidade instalada. O faturamento da companhia somou R$ 2,63 bilhões em 2015.

Além desses projetos, a AES Tietê estuda termelétricas no Estado de São Paulo e busca crescimento nos negócios de geração distribuída, outro foco importante dos planos da companhia para expansão da energia solar. “Essas gerações mais convencionais vamos colocar [em leilões] a medida que eles vierem com um sinal de preço interessante”, disse Freitas, completando ter expectativas de que o novo governo faça isso, e não “regule o mercado via preço de leilão”.

Outro foco de expansão previsto pela companhia para os próximos anos é a participação em leilões que contratem baterias para armazenamento de energia para suprir os horários de ponta da carga. Nesse segmento de baterias de armazenagem da energia, a expectativa é de crescimento do uso e redução dos preços nos próximos anos. A AES Tietê estima que, até 2025, o Brasil tenha 1000 MW em energia armazenada em baterias.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) lançou recentemente um projeto estratégico de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) para inserção de sistemas de armazenamento de energia no setor elétrico brasileiro. Segundo Freitas, depois desse processo, a agência deve regulamentar a tecnologia e iniciar a realização de leilões para contratá-la.

“A gente conversa para que o governo libere o leilão de ponta para a tecnologia de ‘energy storage'”, disse ele. Nos Estados Unidos, a AES Corp. já saiu vitoriosa de disputas desse tipo e conseguiu contratar as baterias para reforçar o abastecimento nos horários de pico de consumo. Para Freitas, levando em conta que a regulamentação das baterias só deve sair depois do projeto de P&D, os primeiros leilões do tipo devem acontecer apenas daqui cerca de dois anos.