25/05/2016

Após sanções, Irã eleva exportação de petróleo

O Irã surpreendeu muitos analistas ao conseguir cumprir sua promessa de elevar produção e exportação de petróleo, passados seis meses da suspensão das sanções ocidentais ao setor no país.

Foram extraídos quase 3,6 milhões de barris por dia dos poços iranianos em abril, nível atingido pela última vez em novembro de 2011, antes do endurecimento das sanções impostas devido ao programa nuclear de Teerã, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE). As exportações de petróleo subiram para 2 milhões de barris/dia em abril, só 200 mil barris abaixo dos níveis do fim de 2011.

O Irã entrou na batalha por participação de mercado contra a Arábia Saudita e outros rivais regionais e se esforça para reconquistar clientes depois dos anos de restrição às vendas de petróleo, que acabaram abalando sua economia.

“A maioria das pessoas achava que [a promessa] era papo-furado dos iranianos antes da suspensão das sanções. Era um curinga no mercado de petróleo e eles superaram nossas expectativas”, disse o analista Mike Wittner, especializado no setor do Société Générale.

Embora parte das vendas de petróleo de abril possa referir-se a cargas adiadas de março, é possível que em maio o Irã envie mais barris já que o excesso de oferta no mercado começa a diminuir.

No fim de semana, o chefe da petrolífera estatal iraniana, Rokneddin Javadi, disse não haver planos para participar de um congelamento na produção, já que o país ainda vem elevando suas exportações para o patamar anterior às sanções, de pelo menos 2,2 milhões de barris por dia.

“O governo e o Ministério do Petróleo não emitiram nenhum plano ou normativa para a National Iranian Oil Company sobre interromper o aumento na produção e exportação de petróleo”, disse.

Os comentários indicam que é mínima a possibilidade de algum acordo de restrição da produção no encontro dos ministros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) na próxima semana em Viena, na Áustria.

Políticos iranianos haviam prometido à população restabelecer a produção e as exportações, que tinham caído pela metade devido às sanções, segundo analistas. Isso impossibilitou qualquer tentativa de acordo com a Arábia Saudita, líder informal da Opep. A pressão por um acordo rápido arrefeceu depois de o preço do petróleo ter se recuperado 70% desde janeiro, quando atingiu a menor cotação deste recente ciclo de baixa.

As tensões entre os rivais regionais ficaram mais evidentes em abril, quando ruiu o plano para que membros da Opep e outros grandes produtores mantivessem o nível de produção, após o Itã ter rejeitado o pedido saudita para que aderisse ao congelamento.

A Arábia Saudita também adotou medidas para atrapalhar os esforços iranianos de elevar suas exportações. O país proibiu que se transportasse petróleo iraniano por águas sauditas, segundo operadores do mercado.

Ainda assim, o Irã conseguiu enviar mais petróleo para a Índia, a China e outros países para os quais tinha permissão de vender quando ainda estava sob sanções. Também retomou laços com compradores europeus e assegurou novos acordos de venda com grandes comercializadores internacionais de petróleo, como a Vitol e a Glencore, e com grandes petrolíferas, como a Repsol, da Espanha.

“Vender petróleo não é realmente um problema, a questão está no lado financeiro”, disse uma autoridade iraniana, acrescentando que as exportações poderiam ter sido maiores se não fosse pela hesitação dos financiadores.

As sanções internacionais, incluindo as bancárias e as referentes às vendas de petróleo, foram levantadas em janeiro, como parte de um acordo com as potências mundiais no qual Teerã aceitou limitar a sua capacidade nuclear.

Bancos e instituições financeiras dos EUA, porém, ainda estão proibidos de processar pagamentos relacionados ao petróleo iraniano e muitos dos rivais europeus estão cautelosos em violar algumas das restrições restantes impostas pelos americanos. Seguradoras e donos de frotas de navio também hesitam em lidar com o país ou com clientes que queiram transportar petróleo iraniano. Os que se dispõem a fazê-lo enfrentam custos mais altos para comerciar.

Na semana passada, o vice-chefe da divisão de sanções do serviço diplomático da União Europeia, Gerry Regan, disse que “a retomada total das atividades comerciais [com o Irã] ainda vai levar algum tempo”.