19/05/2016

Desligamento de térmicas em junho trará economia de R$ 200 mi ao mês

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) deverá reduzir novamente a geração de energia termelétrica em junho. Segundo o novo diretor-geral do órgão, Luiz Eduardo Barata, a estimativa é reduzir de 7.500 megawatts (MW) médios para cerca de 3.500 MW médios de produção termelétrica, o que pode gerar um benefício econômico ao sistema de R$ 200 milhões ao mês, a ser repassado ao consumidor no reajuste tarifário anual de cada distribuidora.

A medida será possível com a retomada do modelo de acionamento de termelétricas pelo sinal econômico, chamado de “despacho por ordem de mérito”. O modelo consiste em acionar térmicas apenas quando o custo marginal de operação (CMO) do sistema for superior ao custo de operação de cada térmica. Hoje, as térmicas são operadas a partir de um patamar de custo definido pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico – atualmente de R$ 150 por megawatt-hora (MWh).

“O despacho térmico dos últimos anos sempre foi heterodoxo. Nossa meta é buscar o despacho térmico segundo ordem de mérito”, disse Barata, no Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico (Enase), no Rio.

Ele explicou que a medida será analisada na próxima reunião do programa mensal de operação. Caso o ONS decida pela operação por ordem de mérito, ela será adotada automaticamente já para junho. Caso contrário, o assunto será levado à reunião do CMSE, na primeira semana do mês, para definir um novo patamar de segurança termelétrica.

A retomada do acionamento das térmicas por ordem de mérito vinha sendo defendida há alguns meses pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE). O ONS, ainda sob a gestão de Hermes Chipp, porém, ainda defendia, por cautela, o despacho por segurança energética.
Ontem, o diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino, disse ser favorável à proposta do novo diretor do ONS.

Barata também afirmou que a evolução do consumo de energia no Brasil não deverá representar riscos ao suprimento de energia nos próximos anos. “Até 2018, a expectativa é que o consumo não reaja a ponto de trazer problemas no suprimento”, disse. “O desafio é assegurar o suprimento a custos menores do que tivemos nos últimos anos”.

A plateia presente no Enase, principal evento do calendário do setor, aprovou o discurso do novo ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, que se comprometeu em reduzir o intervencionismo estatal no mercado, e elogiou a nomeação de Paulo Pedrosa como secretário-executivo da pasta.
Mario Menel, presidente do Fórum de Associações do Setor Elétrico (FASE), elogiou a postura do novo ministro de abrir um canal de diálogo com o mercado e reconhecer que o intervencionismo do governo, nos últimos anos, não deu resultados.

“Ficou uma impressão muito boa. O ministro, já no domingo [durante encontro com agentes do setor], deixou a melhor das impressões. Ele reconheceu que não tem experiência no setor elétrico, não é um técnico, mas que ele sabe, tem a visão clara de que o setor precisa de uma blindagem política, precisa de um tratamento com os parlamentares. Nisso ele é hábil”, disse Menel.