04/05/2016

Distribuição pressiona resultado da Energias do Brasil

Os resultados da EDP Energias do Brasil no primeiro trimestre vieram pressionados pelo segmento de distribuição, refletindo a sobrecontratação da EDP Bandeirante, a redução no consumo no mercado cativo e o aumento da inadimplência.
Em uma medida prudencial em meio à esse cenário de incertezas, a companhia anunciou junto do balanço um aumento de capital privado de R$ 766 milhões a R$ 1,5 bilhão, por meio da emissão de ações, visando fortalecer sua estrutura de capital.

A EDP Energias do Brasil reportou lucro de R$ 302 milhões no trimestre, montante 3,6 vezes maior que o apurado no mesmo intervalo do ano anterior. O resultado, porém, refletiu um ganho contábil de R$ 278 milhões referente à venda da Pantanal Energética, por R$ 355 milhões, concluída em janeiro.

A queda nas vendas de energia pressionou a receita, que teve queda de R$ 1%, para R$ 2,1 bilhões. Em teleconferência realizada ontem para comentar os resultados, Miguel Setas, presidente da companhia, se mostrou otimista sobre a situação, destacando que há um conjunto de iniciativas regulatórias, por exemplo, que deve normalizar o problema da sobrecontratação.

Segundo o executivo, há “um caminho” identificado com “um conjunto de medidas que permitem prospectar uma solução” para a sobrecontratação. Sobre o crescimento das perdas comerciais no trimestre, ele disse que há condições para que a tendência negativa seja revertida pelos próximos trimestres.

As ações da companhia fecharam em queda de 3,43% ontem, a R$ 12,38, refletindo as desconfianças do mercado sobre o cenário de distribuição. “Como já anunciado, a queda de volumes foi significativa, especialmente na Bandeirante. Chamamos a atenção para o aumento significativo do PDD [provisão para devedores duvidosos] nas duas distribuidoras e de perdas na Bandeirante”, afirmou o Credit Suisse em relatório enviado a clientes.

O banco classificou o aumento de capital como uma alternativa para equilibrar a estrutura de capital da empresa, mas destacou que o resultado operacional foi ruim, dado o momento do segmento de distribuição.

A operação deve reduzir consideravelmente a alavancagem da companhia, disse Setas. “Entendemos que o atual momento de incerteza no país, que se refletiu nos últimos meses em restrições ativas no mercado de crédito, nos coloca numa posição prudente de, mesmo sem haver oportunidade concreta de investimento não orgânico, reforçar a estrutura do grupo”, afirmou ele.

O executivo afirmou que a Energias de Portugal, controladora da companhia com 35,3% das ações ordinárias (ON), se comprometeu a subscrever sua participação correspondente no aumento de capital. Eles teriam indicado ainda ter a intenção de subscrever potenciais sobras que não sejam subscritas pelos demais acionistas.