03/05/2016

Etanol cai de novo e se torna mais vantajoso que gasolina

Os motoristas de São Paulo enfim estão vendo vantagem em abastecer seus carros com etanol em vez de gasolina. Na semana passada, o preço médio do etanol hidratado (usado diretamente no tanque) ficou abaixo de 70% do valor médio da gasolina (equivalente à eficiência do biocombustível ante o derivado fóssil). A última vez em que a correlação de preços foi favorável ao consumo de etanol foi no início de novembro de 2015. Segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP), o preço médio do etanol hidratado nos postos paulistas entre 24 e 30 de abril ficou em R$ 2,403 o litro, o equivalente a 68% do preço da gasolina no mesmo período.

O valor é 4% menor que o da semana anterior. O etanol vem se desvalorizando nas últimas quatro semanas por causa do aumento da produção do Centro-Sul. O clima seco que predomina na região desde meados de março tem permitido um avanço da moagem de cana-de-açúcar da safra 2016/17, o que gerou uma oferta elevada para a época. Na primeira quinzena de abril, a produção do etanol hidratado quase dobrou em relação ao mesmo período de 2015 e alcançou 891 milhões de litros. Quatro semanas atrás, o preço do etanol equivalia a 75% do valor da gasolina. Desde então, os postos de São Paulo já reduziram o valor do biocombustível em 11%. Além de São Paulo, o etanol também tem acumulado queda nas últimas quatro semanas em outros 17 Estados e no Distrito Federal. Os consumidores estão se beneficiando de um movimento que já tem sido sentido pelas usinas há mais tempo.

Desde a segunda semana de março, quando o preço do etanol para as usinas atingiu seu pico na entressafra – de R$ 1,9528 o litro -, o valor recebido pelas usinas já recuou 31% até a semana móvel encerrada dia 29 de abril, conforme levantamento do Cepea/Esalq para o hidratado em São Paulo.

De acordo com um trader, a correlação de preços mais favorável ao etanol já desperta o interesse dos motoristas. O consumo do etanol hidratado, que em março ficou em 1,130 bilhão de litros, deve alcançar 1,5 bilhão de litros por volta de outubro (mês em que a demanda costuma atingir seu maior patamar ao longo do ano), calcula o trader. Ele estima que a paridade entre o etanol e a gasolina pode chegar a 62% em até duas semanas. Apesar de o etanol estar mais competitivo, a demanda pelo biocombustível no ciclo 2016/17 ainda deve ficar abaixo dos volumes registrados na última temporada, quando o consumo de etanol saiu de um patamar de 1,448 bilhão de litros em março para 1,750 bilhão de litros em outubro.

Na último safra, as usinas deram preferência para a produção de etanol, aumentando a oferta doméstica e baixando os preços ao longo da temporada. Já na safra atual, que deve ser mais direcionada à produção de açúcar por causa da alta remuneração do alimento, o mercado doméstico de etanol hidratado deverá encontrar um equilíbrio entre oferta e demanda se o consumo do biocombustível atingir até 1,5 bilhão de litros, segundo a mesma fonte. Caso a demanda suba mais que o esperado e retome os patamares da safra passada, afirma ele, pode haver problemas de oferta durante a entressafra.