18/05/2016

Setor elogia novo secretário-executivo de Energia

O mercado recebeu com uma avalanche de elogios a escolha do presidente da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia (Abrace), Paulo Pedrosa, como secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia. Alagoano e engenheiro mecânico de formação, com ampla experiência no setor elétrico, Pedrosa é o primeiro nome oriundo da iniciativa privada a fazer parte da cúpula do ministério pelo menos desde 2003 – quando a presidente afastada Dilma Rousseff assumiu a pasta.

Ex-ministra de Minas e Energia, Dilma sempre manteve ascendência sobre sua antiga área de atuação e manifestava preferência por servidores de carreira da Eletrobras ou representantes da academia como secretário-executivo, enquanto o comando do ministério ficava nas mãos de políticos ou indicados do PMDB.
Maurício Tolmasquim (professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro), Nelson Hubner (funcionário de carreira da Companhia Energética de Brasília e ligado ao movimento sindical) e Márcio Zimmermann (servidor da Eletrosul) exerceram esse papel até o fim de 2014. No ano passado, a chegada de Luiz Eduardo Barata – ex-diretor do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e ex-presidente da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) – já havia sido recebido com alívio pelo setor, graças à sua capacidade de diálogo.

A nomeação de Pedrosa, que foi convidado pelo ministro Fernando Coelho Filho no domingo, teve repercussão ainda mais positiva no mercado. Ele também presidiu a Abraceel, associação de comercializadoras de energia, e participou de vários conselhos de administração em empresas do setor, como a Equatorial.
“Aguardávamos um nome com visão de mercado e percepção de dentro do segmento industrial. Ele representa tudo isso e, por conta disso, foi recebido de braços abertos por todos os dirigentes com quem entrei em contato até agora”, comentou o presidente da Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia (Abiape), Mário Menel. Para ele, além de “bom gestor”, Pedrosa possui o “jogo de cintura” exigido pelo cargo.

Ainda segundo o presidente da Abiape, Pedrosa tem um perfil complementar ao do ministro. “Será uma dobradinha excelente: Paulo com viés técnico e forte capacidade de diálogo com o setor e o ministro com facilidade em lidar com os parlamentares”, disse.

A passagem de Pedrosa pelo comando da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), entre 2001 e 2005, abre a perspectiva de melhora na relação do ministério com a autarquia. O presidente Instituto Acende Brasil, Claudio Sales, considera que a trajetória profissional do novo secretário sugere que haverá respeito quanto ao papel institucional de cada órgão.
“Poucas pessoas tem a experiência do Paulo em temas afetos à secretaria. É um técnico competente que foi diretor da Aneel e, portanto, conhece também a administração pública”, disse Sales.

Com vasto conhecimento técnico, Pedrosa tem sólida formação e é um leitor dedicado de livros de história. Colecionador de miniaturas de robôs e cozinheiro amador, ele se manteve afastado do mundo político na última década, mas chegou a ser secretário-executivo do PSDB nos anos 90.