23/06/2016

Brasil é campeão mundial na reciclagem de latas de alumínio

O Brasil é o maior reciclador mundial de latas de alumínio. O índice brasileiro é de 98,4%. No mundo, aproximadamente 75% dessas embalagens são recicladas.

Em 2014, foram vendidas no mercado brasileiro 294,2 mil toneladas de latas e recicladas 289,5 mil toneladas. A atividade injetou R$ 845 milhões na economia, segundo pesquisa da Abralatas, associação dos fabricantes. Há 14 anos, o país ocupa a liderança nesse mercado.

Em cerca de 30 dias, uma latinha pode ser comprada, usada, coletada, reciclada, virar latinha de novo e voltar ao supermercado. É um caso de sucesso isolado no panorama da reciclagem no Brasil. Também tem bons números a reciclagem de embalagens de agrotóxicos, mas as quantidades e os valores das latinhas são muito maiores.

Algumas características explicam o sucesso. Já de partida, o alumínio é infinitamente reciclável e mantém quase a mesma qualidade do material primário. Esse é um enorme diferencial. Papel e plástico, por exemplo, dão reciclados de qualidade inferior aos produtos de origem, na maior parte dos casos.
Além disso, contam a favor do alumínio a facilidade de coleta e compactação e a disponibilidade distribuída em todo território e sem interrupções sazonais.
A lata de alumínio é usada basicamente como embalagem de bebidas. Cada brasileiro consome em média 54 latinhas por ano. Só para se ter ideia do volume, 45,8% das cervejas nacionais são vendidas envasadas em latinhas de alumínio.
Todos esses fatores concorreram para o estabelecimento de uma cadeia de valor para o mercado das latinhas. Elas são sucatas valiosas e têm mercado. Para além das próprias empresas que as fabricam, são disputadas também pela indústria automobilística e pela construção civil, para a produção de componentes elétricos e de outros bens de consumo.

Segundo dados do Cempre (Compromisso Empresarial para a Reciclagem), o preço da latinha de alumínio é o dobro do preço do PET, do plástico rígido e do plástico filme, cinco vezes o preço do papel branco, oito vezes o preço do vidro, 14 vezes o papelão e 17 vezes o preço da embalagem longa vida. E como a roda se alimenta, o fato de a lata ter valor faz com que a sua separação seja mais difundida e comum nos domicílios –há muita gente que só separa latinhas.

CRIAR DEMANDA
Para Renault de Freitas Castro, presidente executivo da Abralatas, para que outros materiais tenham o mesmo sucesso do alumínio na reciclagem, é preciso criar demanda. E é a própria indústria que deve se responsabilizar por isso.
“Se ela [indústria] não criar usos ou não inventar outros usos, quem vai arcar com essa sucata?” questiona. É o princípio do poluidor-pagador, afirma Castro. “Senão, é a sociedade que vai pagar.”

O executivo da Abralatas defende ainda que o governo multe as empresas que não aderirem aos acordos setoriais, além de mudanças no sistema tributário, para que sejam criados instrumentos para encarecer o produto de maior impacto ambiental. “Enquanto o produto muito poluente não for mais tributado que o produto menos poluente não vai dar.”

Castro afirma ainda que é preciso melhorar as condições de trabalho dos catadores. O governo, por exemplo, poderia simplificar a burocracia para incentivar a formação de cooperativas. Em uma associação, os catadores podem ter acesso a benefícios como o INSS e o sistema de saúde.

BAUXITA
Como tem bom mercado, os catadores autônomos nem deixam as latinhas chegarem às centrais de separação da coleta seletiva. Elas são recuperadas antes de chegarem ao ponto final. Por esse motivo alguns índices de composição dos resíduos sólidos inspecionados pelas prefeituras na coleta seletiva apontam baixa porcentagem de latas de alumínio.

A reciclagem da latinha de alumínio gera ganho energético e evita extração de bauxita. Na reciclagem, a economia de energia é de 95%: basta 5% da energia necessária para produzir determinada quantidade de alumínio pelo processo primário para produzir a mesma quantidade de reciclado. Em 2014, no Brasil, foram vendidas 294 mil toneladas de latinhas e recicladas 289 mil toneladas, um índice de 98,4%.

O processo de reciclagem de alumínio libera 5% das emissões de gás do efeito estufa comparado com a produção de alumínio primário, 18% dos municípios brasileiros (1.055) têm alguma iniciativa de coleta seletiva, 85% dos brasileiros não têm acesso a programas de coleta seletiva, 54% dos municípios brasileiros realizam coleta seletiva por meio de Pontos de Entrega Volutários (PEVs) e cooperativas de catadores.