21/06/2016

Cientista desenvolve spray que transforma superfícies em células fotovoltaicas

“Meu sonho é que um dia você veja dois técnicos com mochilas Ghostbusters chegar à sua casa e pulverizar seu telhado”, conta o pesquisador Illan Kramer, responsável por liderar um projeto que culminou na invenção de uma nova fórmula de spray de células solares que agem em superfícies usando materiais minúsculos sensíveis à luz (semicondutores) e que promete elevar o setor de energia solar a um novo patamar.

Em outras palavras, trata-se da criação de um novo spray solar obtido por um método de produção muito mais prático e barato para fabricação. A SprayLD System, nome dado à invenção, é realizada através de um rápido processo de fabricação chamado de ALD, onde ocorre a deposição de camadas atômicas e os materiais são acrescentados às superfícies.

A razão para o sucesso da experiência é, sobretudo, pela simplicidade de toda operação, que se aproveita do potencial dos pontos quânticos coloidais (CQD), o material semicondutor da solução, para revestimento dos mais diferentes tipos de superfície – sendo útil tanto para um simples telhado de casa como para a superfície aerodinâmica de um avião.

Para se ter uma ideia, uma superfície do tamanho do telhado de um carro, por exemplo, envolvida com película revestida de CQD produziria energia suficiente para alimentar três lâmpadas ou gerar a luz para 24 lâmpadas fluorescentes compactas de 100 watts.

Ted Sargent, supervisor de Kramer, vice-reitor da Faculdade de Ciências e Engenharia aplicada de Toronto, contou em notícia no site oficial da instituição sobre a satisfação de toda equipe quando o processo de revestimento feito através de pulverização superou as expectativas, mostrando um melhor controle e pureza. Ainda sobre o processo, seus criadores explicam que a ideia foi priorizar o uso de peças prontamente disponíveis e acessíveis, com exceção do bico pulverizador (usado em usinas de aço).

Ainda em fase experimental, o SprayLD não tem um plano de comercialização definido, pelo menos não por enquanto. Entretanto, a ideia é que em alguns anos o revestimento de CQD possa estar incluso na produção de equipamentos e construção de imóveis, fato que tornaria a produção de energia muito mais limpa e econômica.