07/06/2016

Comgás vê competitividade maior do gás na indústria

A redução no preço do gás natural na área de concessão da Comgás para clientes industriais e na geração de energia deve trazer vantagens competitivas para os consumidores da companhia em relação à outras fontes energéticas. Essa é uma das principais apostas da empresa para reverter a tendência de queda nos volumes de gás distribuído vista nos últimos meses, devido à desaceleração da economia.

Segundo Sergio Pais, gerente executivo da Comgás que atua na gestão do atendimento aos grandes clientes industriais e negócios no segmento, o reajuste no preço do gás natural fez com que os preços deste ficassem mais de 50% inferiores ao gás liquefeito de petróleo (GLP) para grandes consumidores.

Desde o início de junho, os preços da Comgás ficaram 11,3% mais baratos para os consumidores industriais da faixa de 50 mil metros cúbicos por mês e 21% menores para os que utilizam mais de 3 milhões de metros cúbicos por mês.

A deliberação da Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) definiu ainda que, no segmento de geração de energia, os preços de gás natural ficaram de 15% a 21% mais baixos, dependendo da faixa de consumo.

Segundo Pais, para os industriais que consomem mais de 1 milhão de metros cúbicos mensais, os novos preços do gás natural ficaram 53% menores que o GLP e 25% menores que o óleo combustível. Para quem consome 500 mil metros cúbicos por mês, a diferença ante o GLP é de 51% e de 21% ante o óleo combustível.

“Alguns terão benefício maior, mas, com certeza, [o reajuste] vai trazer uma competitividade muito boa para a indústria”, disse Pais.

A Comgás vê isso como uma chance de obter crescimento dos volumes de gás distribuído. “É uma oportunidade de explorar o mercado, expansão nos municípios, deixando os projetos mais viáveis, chegando com um gás mais competitivo”, disse ele. O retorno dos clientes em relação ao reajuste tem sido positivo, segundo Pais. “É um alento muito grande que isso traz para os 15 principais setores que consomem o gás”, disse ele.

“Algumas indústrias estão exportando mais por causa do câmbio. Isso, combinado à redução do custo do gás, vai trazer uma maior competitividade nessas exportações”, completou.

No primeiro trimestre do ano, houve retração de 11,5% no volume de vendas no segmento industrial, refletindo o cenário econômico. As vendas de gás para geração de energia tiveram volume 13,1% no trimestre, devido à queda nos preços de energia, que tornaram o uso do gás menos competitivo no trimestre passado.

A recessão econômica foi a principal responsável pela redução do consumo de energia no país, que possibilitou os preços historicamente baixos no mercado de curto prazo.

Se a situação começar a se reverter no fim deste ano, como muitos apostam, o cenário energético pode ficar “crítico”, diz Pais. Segundo ele, pode haver um gargalo de suprimento pelas distribuidoras, aumentando a competitividade da geração usando o gás natural.

O custo da geração de energia a gás natural depende da eficiência de cada projeto, explica Pais. Em alguns “extremamente eficientes”, o custo para remunerar os investimentos é de R$ 120 por megawatt-hora (MWh).

Atualmente, o preço de energia no mercado à vista estão próximos de R$ 60/MWh na região Sudeste. Os preços em contratos de médio e longo prazo no mercado livre, porém, estão acima dos R$ 130/MWh.

“Temos atualmente 25 empresas cogerando energia e nenhuma delas deixou, por qualquer motivo, de gerar sua própria energia com o gás e voltaram ao ‘grid’ de energia elétrica”, disse Pais.

Segundo ele, as vantagens de investimentos em cogeração usando gás natural dependem da situação de cada indústria, se estão no mercado cativo ou livre, descontratadas ou não. “Não há um único número que defina que o projeto de cogeração é viável, mas certamente há uma competitividade maior agora e uma oportunidade para os que estavam em dúvida”, disse.