27/07/2016

Biomassa representa 8,8% da matriz elétrica do Brasil

A potência outorgada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na matriz elétrica do Brasil indica que a biomassa é responsável por 8,83% do total nacional, o equivalente a 14.019.781 KW. Das fontes de biomassa, o bagaço da cana-de-açúcar representa 78,2% do total com 11.008.691 KW. O setor florestal vem em segundo lugar nessa lista, com 20% do total, o equivalente a 2.803.847 KW. As outras fontes de bio-massa, como resíduos animais, resíduos sólidos urbanos, biocombustíveis líquidos e outros agroindustriais, dividem os 11,8% restantes.

A participação de menos de 9% da biomassa na matriz elétrica brasileira pode parecer pouca. De fato, poderia ser bem maior, mas vale destacar a importância dessas fontes de energia no contextos a lista, com 20% do total, o equivalente a 2.803.847 KW. As outras fontes de bio-massa, como resíduos animais, resíduos sólidos urbanos, biocombustíveis líquidos e outros agroindustriais, dividem os 11,8% restantes.

A participação de menos de 9% da biomassa na matriz elétrica brasileira pode parecer pouca. De fato, poderia ser bem maior, mas vale destacar a importância dessas fontes de energia no contexto ambiental. Números elaborados pela União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica) em junho de 2016, a partir de dados da Aneel, mostram que a biomassa aparece em terceiro lugar na lista, atrás das fontes fósseis que representam 17,25% da matriz elétrica total, com 27.388.731 KW. A fonte hídrica se mantém na liderança com 66,95%, o equivalente a 106.296.520 KW.

A bioeletricidade, fonte limpa de geração de energia, assume a segunda posição na matriz elétrica brasileira quando se estratifica a fonte fóssil, oriunda basicamente do gás natural, petróleo e carvão mineral. Isso porque o gás natural, líder dos fósseis com 13.214.271 KW, possui capacidade instalada inferior à fonte biomassa (tabela). Com referência somente à bioeletricidade da cana, o setor sucroenergético detém hoje 7% da potência outorgada no Brasil, sendo a terceira fonte de geração mais importante da matriz elétrica nacional em termos de capacidade instalada, atrás somente da fonte hídrica e das termelétricas com gás natural.

Histórico recente – A evolução anual de capacidade instalada nacional mostra que a fonte biomassa teve seu recorde em 2010, com 1.750 MW (equivalente a 12,5% de uma Usina Itaipu), resultado de decisões de investimentos anteriores a 2008, quando o cenário era estimulante à expansão do setor sucroenergético. A fonte biomassa, que já chegou a representar 32% do crescimento da capacidade instalada no País, tem previsão de terminar 2016 com apenas 7% da expansão anual da capacidade instalada no Brasil, índice que poderá cair para apenas 3% em 2020.

Em 2014 as usinas a biomassa aumentaram em mais de 20% a geração para o Sistema Interligado Nacional (SIN), em relação ao ano anterior. Já 2013, o aumento foi de 32% em relação à 2012. A geração pela biomassa em geral continuou crescendo em 2015, mas em um ritmo menor comparativamente com anos anteriores. De janeiro a dezembro do ano passado, dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) mostram que a bioeletricidade gerou um volume aproximadamente 9% superior para o SIN em comparação a igual período de 2014. O valor acumulado de 2015 mostra que a biomassa gerou o equivalente a abastecer 11,7 milhões de residências brasileiras.

Ainda de acordo com a CCEE, em agosto de 2015 a fonte biomassa bateu seu recorde histórico de geração mensal para a rede, chegando a representar 8% do consumo nacional de eletricidade naquele mês. O setor sucroenergético também tem apresentado um crescimento significativo na oferta de eletricidade para o Sistema Interligado Nacional. De 2013 para 2014 o crescimento na oferta de excedentes para a rede foi de 21%. Já em 2015 a variação foi de 4% em relação ao ano anterior.

A oferta de 20,2 TWh do setor sucroenergético à rede em 2015 representou uma economia de 14% da água nos reservatórios do submercado elétrico Sudeste/Centro-oeste, justamente porque essa geração ocorre na época de seca, período crítico do setor elétrico. Essa energia renovável e limpa ofertada à rede foi equivalente a ter provido o atendimento a 10,4 milhões de residências ao longo de 2015 e evitou a emissão de 8,6 milhões toneladas de CO2, volume que somente seria alcançado com o cultivo de 60 milhões de árvores nativas ao longo de duas décadas.

Desde 2013 o setor sucroe-nergético vem gerando mais energia elétrica para o SIN do que para o consumo próprio das unidades industriais, ficando numa relação 60% de energia para a rede e 40% para consumo próprio em 2014. De 2010 a 2014, em termos de indicador de kWh exportado para a rede elétrica por tonelada de cana processada, a bioeletrici-dade teve um incremento de quase 120%. De 2004 a 2015, a bioeletricidade do bagaço de cana já comercializou um total de 120 projetos nos leilões regulados somando 1.622 MW médios (ou 14.209 GWh para entrega anual).

Além do Leilão A-5 2016, realizado em abril, já estão agendados dois Leilões de Energia de Reserva para as fontes eólicas, solar e para as pequenas centrais hidrelétricas (PCH). Porém, a fonte biomas-sa não foi convidada a participar desses certames, fato que se repete desde 2011. Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), em 2014 existiam 177 unidades sucroenergéticas, de um universo de 355 usinas (Unica), exportando excedentes de bioeletricidade à rede. Há, portanto, muitas usinas que podem passar por um processo de reforma (retrofit) para aproveitarem plenamente o bagaço, a palha e o biogás da vi-nhaça, para oferecer bioeletricidade à rede.

O último Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2024) indica que a geração de bioeletricidade sucroener-gética para a rede tem potencial técnico para chegar a mais de seis vezes o volume de oferta à rede em 2015, considerando o aproveitamento pleno da biomassa existente (bagaço e palha) nos canaviais no ano passado. O PDE mostra ainda que o potencial técnico de geração anual para a rede pela biomassa da cana pode ir além e alcançar quase duas usinas do porte de Itaipu, com geração de 165 TWh/ano até 2024.

Ano passado, a geração de energia para a rede pela biomassa da cana respondeu por 4,3% do consumo nacional de energia elétrica no Brasil. Se o País aproveitar plenamente o potencial técnico da bioeletricidade da cana, segundo a EPE, somente esta fonte tem capacidade de representar 24% do consumo nacional na rede até 2024.

Governo reavalia leilões de energia de 2016

O governo brasileiro vai rediscutir a agenda de leilões para contratação de novas usinas de energia programados para 2016. Segundo o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, é preciso avaliar a real necessidade de expansão da capacidade instalada do País, considerando que o consumo de energia tem caído. Neste cenário, as empresas distribuidoras alegam possuir mais eletricidade contratada do que a demanda. A reavaliação faz parte do processo de reorganização do MME e órgãos relacionados.

Apesar da possibilidade de mudança, Coelho Filho afirmou que a ideia, em princípio, é manter os certames. Há dois leilões de reserva (LER) já agendados para contratação de novas usinas, nos dias 29 de julho e 28 de outubro. Ambos tiveram a data definida em março, antes do afastamento da presidente Dilma Rousseff, que enfrenta processo de impeachment. “Talvez não ocorram nas datas previstas, tenha algum ajuste quanto à data, mas nossa disposição é fazer”, disse Coelho Filho a jornalistas.

De acordo com o secretário–executivo do MME, Paulo Pedrosa, as definições sobre os leilões deverão ser concluídas somente após avaliação feita pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), órgão que promove estudos sobre a expansão da geração e da transmissão de energia e é responsável pela preparação e apoio técnico aos leilões de energia. Pedrosa destacou a importância estratégica dos leilões para atrair investidores e tecnologia, mas também defende uma reflexão sobre o custo da energia para o consumidor quando há sobreoferta.

A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) afirma que as concessionárias do segmento deverão terminar 2016 com aproximadamente 13% em sobras de energia, gerando perdas para as empresas que têm vendido os excedentes a preços baixos no mercado spot de eletricidade. Paulo Pedrosa definiu a questão das sobras de energia como um dos temas “urgentíssimos” a serem tratados pelo MME e disse que o governo busca uma “solução estrutural” para o problema.

Desempenho das usinas à biomassa cresce 10,5% no 1° tri de 2016

Nos três primeiros meses de 2016, as usinas térmicas brasileiras movidas à biomassa produziram 10,5% a mais de energia na comparação com mesmo período do ano passado. Os dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) apontam que a geração no período foi de 722,6 MW médios, ante os 654,2 MW médios em 2015. A capacidade instalada das plantas movidas à biomassa do Sistema Interligado Nacional (SIN) também cresceu e alcançou 11,5 GW em março, alta de 9,7% em relação ao mesmo período do ano passado, quando a capacidade era de 10,5 GW.

Segundo o boletim mensal InfoMercado, a geração alcançou 1.077 MW médios em março, com destaque para o desempenho de São Paulo, que segue como principal produtor de energia proveniente de biomassa. As usinas paulistas entregaram 481 MW médios, o equivalente a 44,7% de toda a geração da fonte no SIN. Mato Grosso do Sul, Bahia e Paraná aparecem na sequência com médias de 275,7 MW, 61,9 MW e 59 MW, respectivamente.

Na análise da capacidade instalada, SP (5.166 MW) também é o principal destaque, seguido por MS (1.830 MW), MG (1.177 MW) e GO (1.034 MW). Os dados apontam ainda que o bagaço de cana foi o combustível mais utilizado pelas usinas à biomassa. O material representou cerca de 80% do total, com 858,9 MW médios. Na sequência, aparecem o licor negro com 13% (141 MW médios) e o biogás proveniente de resíduos sólidos urbanos com 3% do total (32 MW médios).

Em março, 244 plantas movidas à biomassa em funcionamento estavam cadastradas na CCEE, frente às 229 instalações registradas no mesmo período de 2015.

Empresários defendem maior uso de bioeletricidade

Um grupo de representantes do Fórum Nacional Sucroenergético esteve em Brasília, DF, na primeira semana de junho, para apresentar a ministros do governo interino de Michel Temer as principais demandas do setor para impulsionar a cogeração de energia a partir do bagaço de cana-de-açúcar no País. Liderado pelo presidente da entidade, André Rocha, o grupo foi recebido pelos ministros Fernando Coelho Filho (Minas e Energia), Marcos Pereira (Indústria, Comércio Exterior e Serviços), Bruno Araújo (Cidades) e Gilberto Kassab (Comunicações/Ciência, Tecnologia e Inovação).

Rocha afirmou que a receptividade por parte dos ministros foi “muito boa” e que em breve o Fórum Nacional Sucroenergético deve discutir os pleitos do setor com os chefes da Fazenda, Henrique Meirelles, e da Agricultura, Blairo Maggi, assim como senadores e deputados. “Já começamos a tratar da questão da bioeletricidade. Queremos aumentar a participação (da biomassa como fonte de energia), de modo a ajudar o setor a sair da crise e contribuir com uma fonte renovável”, comentou. “Hoje, todas as usinas são autossuficientes, mas apenas 40% exportam energia (para a rede)”, disse André Rocha.

De acordo com o presidente do Fórum, foram apresentadas demandas em torno da competitividade do etanol ante a gasolina, o que envolve o aumento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre o combustível fóssil e a prorrogação do PIS/Cofins, que vence em dezembro. Este último refere-se a um crédito presumido que equivale a zerar a alíquota incidente sobre o etanol. A compensação tributária, com corte de R$ 0,12 por litro de álcool, foi tomada em 2013.