27/07/2016

Energia livre pode reduzir em 20% o custo

A disparada das tarifas de energia elétrica, que ano passado subiram mais de 50% em média no mercado cativo, tem estimulado a migração de shopping centers para o ambiente de livre negociação, no qual eles deixam de ser abastecidos pela distribuidora local e passam a escolher seu fornecedor. A decisão pode representar uma queda de 20% com o insumo, um dos principais custos operacionais dos centros comerciais ao lado de mão de obra e água.

Com cerca de 15% de participação no segmento de comercialização, a Comerc registra 43 shoppings que já migraram para o mercado livre nos últimos anos e outros 48 em processo de migração. “O movimento dos shoppings não é diferente de outros setores da economia que estão buscando o mercado livre para reduzir custos em uma conjuntura de desaceleração econômica e alta de custos com preços atraentes no ambiente livre, onde buscam contratos de três a cinco anos”, afirma o presidente da comercializadora, Cristopher Vavlianos. Ele frisa que os shoppings estão interessados também em obter certificação de que compram energia de fontes renováveis. Um exemplo disso foi o grupo Iguatemi, primeiro consumidor de energia a receber o Certificado de Energia Renovável.

O movimento de migração tem sido intenso em dois Estados: Amazonas e Paraná. Manaus foi interligada ao Sistema Interligado Nacional (SIN) em 2013, o que permitiu que as empresas locais pudessem a partir daí ingressar no mercado livre. “Temos dois clientes, o Manauara e o Millenium Center, que ingressaram ao mercado livre em Manaus recentemente, depois da alta das tarifas no ano passado”, destaca o executivo. Já, no Paraná, durante o governo Requião, as tarifas do mercado cativo foram mantidas subsidiadas. Com a troca de governo, fez-se um realinhamento de preços, o que fez as empresas se interessarem pelo mercado livre. “A equalização das tarifas tem incentivado a migração para o mercado livre de diversos setores”, diz Marcio Sant’anna, sócio da Ecom Energia.

Os shoppings são um dos segmentos que estão impulsionando o crescimento da carteira das comercializadoras. No início do ano passado, a Comerc registrava 250 clientes e 500 unidades consumidoras. Um ano e meio depois, a empresa soma cerca de 600 clientes e de 1,2 mil unidades consumidoras. “Há dez anos o perfil de quem estava no mercado livre era de grandes empresas, como JBS, Weg, Anglo American, agora esse perfil é de empresas menores, com cargas menores”, afirma Vavlianos. Na Ecom, o cenário não é diferente: a carteira de clientes mais do que dobrou em pouco mais de um ano, chegando a 180 empresas. “O custo de energia deve se manter elevado nos próximos dois anos, o que deve continuar estimulando essa migração de clientes para o mercado livre”, diz Sant’anna.

As comercializadoras estão atentas também à chegada de novas tecnologias, como a microgeração distribuída solar. Em 1º de março, entrou em vigor uma nova regulação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que ampliou os incentivos à geração distribuída, elevando a potência para as unidades geradoras de até 75 kW na microgeração; e minigeração, até 3 MW, no caso de hidrelétricas, e até 5 MW para as demais fontes renováveis. A validade dos créditos para compensação junto à distribuidora também sofreu alterações, estendida de 36 para 60 meses. Outra inovação diz respeito à possibilidade de instalação de geração distribuída em condomínios. Nessa configuração, a energia gerada pode ser repartida entre os condôminos em porcentagens definidas pelos consumidores.