01/07/2016

Estados trabalham para atrair projetos e cadeia de equipamentos solar

Rio Grande do Sul quer ter um pólo de fabricação de painéis, que produza tanto para o mercado interno como para países vizinhos

Os estados do país estão trabalhando para atrair tanto projetos como a cadeia de equipamentos da energia solar, que geram emprego e renda. Rodrigo Sauaia, presidente da Associação Brasileira de Energia Solar, lembra que o Brasil tem o recurso bem distribuído ao longo das regiões, o que faz com que ela seja viável em diversas localidades. Na tentativa de atrair os investidores, o principal incentivo dado pelos estados é a isenção de impostos. A Bahia, inclusive, está contratando um projeto para identificar o potencial e os locais em que a incidência solar é melhor. “A princípio, a melhor irradiação está no semiárido da Bahia, em uma área de mais de 370 mil km². O semiárido é o maior desafio para o desenvolvimento econômico e social da Bahia”, comentou o secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia, Reinaldo Sampaio. Ele disse ainda que a Bahia é responsável por 35% de toda a energia solar centralizada produzida no Brasil.

No Rio Grande do Sul, a ideia, conta Arthur Lemos, secretário-adjunto de Minas e Energia, é ter um pólo de fabricação dos painéis, que possa inclusive, ser exportador para outros países. “Nós já estamos em tratativas com duas empresas de montagem de painéis, que querem se colocar no Rio Grande do Sul, mas estamos dependendo da demanda. Todo esse movimento do mercado nacional estamos acompanhando porque queremos gerar não só demanda no Rio Grande do Sul como no Brasil”, comentou o executivo. Lemos não pode dizer quais são as empresas, mas contou que uma é espanhola e outra é italiana. O Estado quer aproveitar um projeto da Argentina, que pretende colocar 300 MW de energia solar, para exportar painéis para o país vizinho. “Queremos aproveitar que a Argentina está lançando esse projeto renovável e nós, estando muito próximos, tendo fronteira com a Argentina, possamos fazer esse encaminhamento desses equipamentos para o país vizinho”, apontou.

No estado de Pernambuco, primeiro a realizar um leilão solar em 2013, a ideia, segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico, Tiago Norões, é criar o melhor ambiente de negócios possível para os investidores em energia solar. O estado já assegurou a isenção de ICMS para projetos e todas as etapas da cadeia de energia solar, eólica e biomassa. “Queremos trazer a indústria para o estado. Sabemos que essa é uma indústria de futuro, com muita tecnologia. Do ponto de vista fiscal, fomos ao máximo até onde poderíamos ir”, afirmou o secretário durante o Brasil Solar Power, que acontece nesta quinta e sexta-feiras, 30 de junho e 1º de julho, no Rio de Janeiro.

Em Palmas, o projeto Palmas Solar deverá render muitos frutos nos próximos anos, aposta o secretário de Energias Sustentáveis do Tocantins, Rafael Boff. Pelo projeto, todo prédio público novo tem que ter o habite-se com local para instalação de painel fotovoltaico. “Quem instala o sistema pode ter até 80% de isenção no IPTU por cinco anos”, explicou. Para o deputado Fábio Garcia (PSB-MT), o segmento de energia solar já é uma realidade dentro da matriz energética brasileira. No entanto, para ele, para se avançar ainda mais, o ideal é que sejam realizados leilões anuais e por fonte. “Assim, os investidores poderão fazer seus investimentos no país sabendo que os leilões vão acontecer”, destacou o deputado.