19/07/2016

Indústria de iluminação investe em LED

A proibição da fabricação das lâmpadas incandescentes, que entrou em vigor no início de julho, reforçou a mudança no cenário da indústria de iluminação e incentivou mais fabricantes nacionais de lâmpadas de LED. Para aproveitar â tendência, mais empresas estão se posicionando no mercado. É o caso da ATME Eco Solutions, que vai inaugurar em agosto uma unidade em Jundiaí, interior de São Paulo, para fabricação de lâmpadas e luminárias de LED, com capacidade de produção de 360 mil lâmpadas e 60 mil luminárias por mês.

Devido às mudanças, a Associação Brasileira da Indústria de Iluminação (Abilux) revisou suas projeções para faturamento do setor de iluminação neste ano. Até então, a expectativa era de baixa de 7% na comparação com 2015. Agora, a associação prevê estabilidade em relação aos R$ 3,9 bilhões do ano passado. Para o segmento de LED, a expectativa da Abilux é de crescimento de 30% na demanda neste ano, ante as 81 milhões de lâmpadas vendidas em 2015.

Para Avi Meizler, presidente da ATME Eco Solutions, as expectativas também são de crescimento no segmento. Os planos da empresa incluem a ampliação da produção mensal de lâmpadas para 720 mil unidades por mês a partir do primeiro semestre de 2017. Em relação às luminárias, usadas em iluminação pública, a produção deve chegar a 86 mil por mês.

Além do mercado brasileiro, a empresa também pretende exportar para países da América Latina. “Acreditamos que vamos exportar em torno de 40% a 50% da produção”, disse Meizler. A unidade de produção vai ser inaugurada em agosto, mas, ao longo do processo de expansão da capacidade, no início de 2017 a fábrica deve contar com 70% a 80% dos itens nacionalizados. “A única coisa que vamos continuar importando é o microchip do LED, que realmente não compensa fabricar em escala pequena”, disse o executivo.

A importação do LED é uma realidade para todas as indústrias que fabricam essas lâmpadas e luminárias no Brasil. O argumento é que o microchip é caro e, para que sua produção pudesse valer a pena, necessitaria de uma escala muito grande. Por isso, o país que concentra a fabricação do LED é a China, que exporta para quase todo o mundo. Também importam o LED para montagem das lâmpadas e luminárias empresas como a Philips e a GE, por meio da sua unidade Current, powered by GE.

Além de aproveitarem a maior procura por lâmpadas desse tipo pela economia de 85% proporcionada em relação às incandescentes, as fabricantes também miram aproveitar a recente onda de parceiras público privadas (PPPs) em grandes municípios brasileiros para troca da iluminação pública por uma mais eficiente.

“Acreditamos que teremos muito trabalho nos próximos 20 anos, não só no Brasil como em toda a América Latina. Terão que trocar o parque luminoso, tanto no setor público quanto no privado. É uma tendência mundial e o Brasil e a América Latina estão inserinos nela”, disse Meizler. A ATME Eco Solutions está avaliando participar de PPPs de iluminação pública no país, dependendo da viabilidade econômica de cada caso.

Em entrevista recente ao Valor, o presidente da Current, powered by GE, Rodrigo Martins, disse que a empresa também negocia contratos para fornecer luminárias para cidades brasileiras. “Há mais de 80 PPPs [parcerias público-privadas] abertas. Sempre tínhamos pensado em trazer a planta para o Brasil”, disse o executivo.