03/08/2016

Baixo consumo deve pressionar elétricas

O enfraquecimento do consumo de energia e o aumento da inadimplência devem continuar pressionando os resultados das empresas do setor elétrico no segundo trimestre, de acordo com as estimativas das casas de análise Itaú BBA, Morgan Stanley, Santander e BTG Pactual.

Na comparação com o primeiro trimestre do ano, porém, os resultados devem ser melhores. Segundo o Santander, os ganhos em relação aos primeiros três meses do ano devem refletir a leve recuperação do consumo de energia, o aumento nos preços de energia no mercado à vista e a valorização do real na comparação com o dólar.

O cenário de persistência da baixa demanda fica claro no caso de empresas que atuam com distribuição, como Eletropaulo. A média das projeções indica queda de 13,2% na receita na comparação anual, para R$ 2,8 bilhões, e indicam um prejuízo líquido de R$ 41 milhões, ante o lucro de R$ 49 milhões apurado no mesmo intervalo do ano passado. Segundo o Itau BBA, o resultado deve refletir o enfraquecimento da demanda e o aumento das despesas para conseguir a melhora dos indicadores operacionais e financeiros.

A distribuidora carioca Light, porém, deve continuar reportando números fracos, mas melhores que os apurados ano passado, quando teve prejuízo de R$ 57 milhões. A média das projeções aponta lucro de R$ 10 milhões e baixa de 1,1% na receita, para R$ 2,2 bilhões. O Santander aposta em resultados fracos para a Light no trimestre, pressionados pelo resultado financeiro fraco, volumes não faturados e aumento das provisões, apesar da leve alta de 0,6% apurada no consumo de energia no trimestre.

Ainda em distribuição, os números da Equatorial também devem ser piores na comparação anual. As projeções indicam queda de 73,1% no lucro, para R$ 134 milhões, e baixa de 1,8% na receita, para R$ 1,47 bilhão. Segundo o Santander, tendo em vista a reestruturação das concessões, com recuperação dos índices de perdas, os resultados serão bons.

No caso das estatais Copel e Cemig, que atuam em distribuição, geração e transmissão, os analistas esperam balanços piores. O Morgan Stanley aponta que o resultado de distribuição da Cemig deve continuar pressionado pelos volumes fracos e o aumento da inadimplência. Para a Copel, o problema é a inadimplência, pois o banco aponta que os volumes de energia distribuída devem ser estáveis na comparação anual.

As projeções dos analistas indicam queda de 15,5% na receita da Copel, para R$ 3,3 bilhões, e baixa de 20% no lucro, para R$ 220 milhões. Para a Cemig, a média das estimativas indica queda de 10% na receita, para R$ 4,6 bilhões. O lucro deve ser 56,4% menor, em R$ 233 milhões no trimestre.

Em transmissão, o desempenho deve ser estável no trimestre. Para a Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (Cteep), os analistas projetam alta de 14,6% na receita, para R$ 237 milhões, e ganho de 23,5% no lucro, para R$ 72 milhões. Segundo o Itaú BBA, isso deve acontecer por conta dos reajustes das receitas anuais permitidas (RAPs) das concessões de transmissão da empresa.

A Light e a Renova divulgam seus resultados hoje à noite, depois do fechamento do mercado.

Fonte: Valor