09/08/2016

Consumo de energia já tende à estabilidade

Fonte: Estadão

Entre junho de 2015 e junho de 2016 o consumo de eletricidade no País aumentou 0,1%, de 37.131 mil GWh para 37.174 mil GWh – muito próximo da estabilidade, portanto. Mesmo o consumo industrial de energia elétrica, componente mais importante da demanda, dá sinais de arrefecimento da queda, que passou de 6,2%, entre os últimos 12 meses até junho e os 12 meses anteriores, para 5,3%, entre os primeiros semestres de 2015 e de 2016, e para 3,3%, entre junho de 2015 e junho de 2016. A recessão foi a principal determinante da queda da demanda da indústria, mas a percepção de que o setor secundário começa a sair do fundo do poço, como apontaram os indicadores recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é confirmada pela Resenha Mensal do Mercado de Energia Elétrica, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

Os indicadores do consumo residencial de energia elétrica também são favoráveis, com aumento de 4,6% entre junho de 2015 e junho de 2016, superando o crescimento de 1,2% entre os primeiros semestres dos dois anos. Na comparação entre períodos de 12 meses, ainda há uma queda de 0,3%, mas tudo indica que ela será revertida no trimestre em curso.

Os sinais mais fracos de melhora do consumo energético vieram do comércio, cuja demanda havia crescido em abril e em maio, mas voltou a cair entre junho de 2015 e junho de 2016 (-3,3%). É uma evidência das dificuldades do varejo, influenciado pelo desemprego (meio milhão de vagas formais foram fechadas no primeiro semestre) e pela queda da renda real dos trabalhadores.

É bastante diverso o comportamento regional do consumo de eletricidade. No consumo industrial, por exemplo, enquanto o Nordeste liderou a queda (-7,7% entre junho deste ano e junho de 2015 e -11,5% entre os últimos 12 meses e os 12 meses anteriores), no Centro-Oeste o consumo cresceu 3,7% no mês e 2,9% no semestre, em razão da demanda do setor de ferro-ligas de Goiás.

O grau de utilização da capacidade industrial ainda é baixo, da ordem de 77,4% em junho, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), mas a demanda crescente de energia de alguns segmentos, como o metalúrgico em Minas Gerais e o de produtos siderúrgicos para exportação no Espírito Santo, é promissora, mesmo se comparada com períodos fracos de 2015.

A oferta satisfatória de energia elétrica assegura que a demanda poderá ser atendida por muito tempo.