03/08/2016

Eletropaulo usará medidor nacional em rede inteligente

O projeto piloto de instalação de redes inteligentes (“smart grid” no jargão do setor) da Eletropaulo ganhou força com a homologação do primeiro medidor com tecnologia híbrida pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). Os medidores, fabricados pela WEG, são os primeiros no país com essa tecnologia, que permite a chamada “tarifa branca”, que varia de acordo com os horários de consumo.

Segundo Maria Tereza Vellano, diretora de planejamento e engenharia da Eletropaulo, a certificação desses medidores é um ponto importante para o andamento do projeto da empresa em Barueri, pois é uma exigência do regulador que tenham a homologação pelo Inmetro. Sem isso, a empresa teria que instalar dois medidores em cada unidade consumidora.

“Sem isso, eu não conseguiria andar com o projeto”, disse Maria Tereza. O plano da companhia é instalar a tecnologia em 60 mil unidades consumidoras em Barueri, na Grande São Paulo, atingindo cerca de 250 mil pessoas. A Eletropaulo prevê investir mais de R$ 70 milhões no projeto.

Esse tipo de medidor possibilita ao cliente acompanhar diariamente seu o consumo de energia. Também permite o uso de geração distribuída, com painéis fotovoltaicos, por exemplo, medindo o que for para uso próprio e a devolução do excedente da energia não utilizada para o sistema tradicional de distribuição. O diferencial do equipamento é a tecnologia híbrida, que permite que a comunicação entre a rede utilize rádio frequência ou a própria rede elétrica.

De acordo com o diretor de automação da WEG, Manfred Peter Johann, o primeiro contrato de venda dos medidores é o da Eletropaulo, mas já há outras grandes concessionárias de distribuição de energia sendo mapeadas. O início do fornecimento dos equipamentos da WEG à Eletropaulo começará já neste ano, e o restante será entregue ao longo de 2017, disse ele.

“Vamos prestar com certeza um serviço de melhor qualidade”, afirmou Maria Tereza.

A homologação do equipamento ajuda, mas a implementação de “smart grid” no Brasil depende de uma série de melhorias nas políticas públicas do segmento, disse a executiva. Hoje, grande parte dos componentes desses equipamentos são importados, o que encarece o custo final. “Só vai baratear quando tivermos políticas públicas que incentivem a fabricação no Brasil, como desoneração fiscal”, disse Maria Tereza.

Fonte: Valor