30/08/2016

Etanol perde participação no consumo de combustíveis em 2016

Fonte: Folha de São Paulo

Laura Muller

A participação do etanol hidratado no consumo de combustíveis caiu neste ano em relação a 2015. Em julho, o percentual recuou para 21,1% do consumo dentro do ciclo Otto (etanol e gasolina), ante 24,1% em igual mês do ano passado.

A desaceleração econômica fez o consumo de combustível cair 3,3% no ano, pesando mais sobre o etanol hidratado do que sobre a gasolina.

O consumo do hidratado, que era de 1,55 bilhão de litros em julho de 2015 –e chegou a atingir 1,75 bilhão em outubro–, ficou em 1,31 bilhão no mês passado. A queda foi de 15,5%. Já o consumo de gasolina ficou estável.

Esse recuo só não foi maior porque os Estados que adotam uma tributação diferenciada para o álcool tiveram quedas menores. É o caso de São Paulo, cuja desaceleração do consumo foi de 7% nesta safra, bem abaixo da média do país.

No mês passado, o con- sumo de etanol apresen- tou recuperação na comparação com junho ao subir 4%, conforme dados da ANP.

PREÇOS

A principal razão para a participação menor do hidratado são os preços.

O litro de etanol hidrata- do sai da porta das usinas, neste mês, com alta de 32% em relação aos valores de um ano atrás, conforme acom- panhamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

Esse recuo de consumo mostra que, apesar dos pontos positivos da utilização do derivado de cana, o preço é o que interfere na decisão da maioria dos consumidores.

Mas isso não vale só para os consumidores. As usinas também optaram por uma oferta maior de açúcar neste ano. Enquanto a produção de etanol hidratado caiu 1,3% nesta safra (abril a julho), a de açúcar subiu 26,1% na região centro-sul, conforme dados da Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar).

O cenário deste ano, devido à oferta mundial de açúcar menor do que a demanda, é bem diferente. As negociações do produto estão com preços acima de 20 centavos de dólar por libra-peso em Nova York, o dobro dos de há um ano.

TRATOR MOVIDO A BIOMETANO

Em até cinco anos, os produtores agrícolas fecharão mais um círculo de produção e de custos dentro da própria porteira da fazenda.

Deverá entrar em operação comercial um trator movido a biometano, um combustível limpo e sustentável.

Por ora um protótipo, o trator está sendo desenvolvido pela New Holland e será testado pela Itaipu Binacional.

O combustível para o novo trator poderá ser feito pelo próprio produtor, utilizando dejetos de animais ou restos de biomassa.

Com um biodigestor, o agricultor poderá produzir biogás bruto, que, após filtrado, passa a ser biometano.

Além de produzir o próprio combustível, o produtor poderá utilizar os resíduos sólidos que resultam dessa operação na própria lavoura.

O preço desse trator ainda não foi definido e deverá levar em consideração os resultados dos testes finais.

Recuperados – A produção de café da Colômbia parece recuperada. A colheita dos últimos 12 meses, até julho, rendeu 14,1 milhões de sacas, 8% mais do que em igual período anterior.

Ao porto – O aumento de produção recolocou a Colômbia com mais força no mercado externo. As exportações acumuladas em 12 meses, até junho, somam 12,9 milhões de sacas, 12% mais do que em período anterior.

Dias difíceis – Os dados são da Federação dos Produtores de Café da Colômbia, entidade que apresentava dias difíceis na produção de 2009 a 2011, quando a safra ficou abaixo de 8 milhões de sacas por ano.

Mais por menos – O volume exportado de carne bovina pela Argentina foi menor neste ano do que no anterior. Mas as receitas, segundo o IPCVA (um instituto de promoção da carne), subiram.

Quanto saiu – O volume embarcado caiu, de janeiro a julho, 13%. Já os preços subiram 7%.