30/08/2016

O biometano é um bom negócio para as usinas paulistas? Meirelles responde

Fonte: Jornal da Cana

O secretário de energia e mineração do Estado de São Paulo, João Carlos Meirelles, apresentou ontem (24) durante evento de conteúdo da Fenasucro & Agrocana 2016, realizada em Sertãozinho (SP), o projeto de introdução do biometano na matriz energética do estado.

De acordo com a secretária estadual, a ideia é estimular as usinas paulistas a produzirem o biometano para injetarem na rede de gás natural, o que pode se tornar uma nova oportunidade de negócio. Atualmente, o Estado possui 166 usinas signatárias do protocolo agroambiental. Sendo 66 localizadas a até 20 km da rede de gás natural existente.

“Queremos incentivar as usinas a produzirem biogás a partir dos resíduos da produção de etanol e açúcar, transformando-o em biometano. Além de gerar a oportunidade de venda, a produção do gás traz melhorias na eficiência das caldeiras e no abastecimento da frota de caminhões, reduzindo o consumo de diesel”, explicou Meirelles, em entrevista ao Portal JornalCana.

“Outro ganho relacionado é o aumento da produção da bioeletricidade. Hoje temos uma safra de oito meses, onde as usinas contam com bagaço e palha e nos outros 4 meses, não conta. Portanto, a unidade pode estar gerando bagaço e palha enriquecidos com o biometano obtido da sua digestão da vinhaça, e nos outros 4 meses, poderá continuar gerando energia apenas com o gás natural”, complementou.

A iniciativa da secretaria estadual está alinhada ao Programa Paulista de Biogás, que prevê a obrigatoriedade de injeção de um percentual mínimo de biometano no gás natural comercializado em São Paulo, cuja ênfase é o biogás produzido a partir da vinhaça.

Testes

A produção de biometano já acorre há cerca de um ano em fase de testes em algumas unidades, como, por exemplo, a Usina Malosso — conforme foi publicado no Portal JornalCana (clique aqui para ler a matéria).

De acordo com Walter Fernando Piazza Júnior, diretor presidente da GasBrasiliano, cujo papel é avaliar junto com as usinas a viabilidade de implantação de dutos de adução que levem o gás das unidades até a rede de distribuição, comprando dessas unidades o biometano, informou que há outras unidades testando a produção do gás.

“Além da Malosso, já negociamos com outras usinas, mas não chegamos a efetuar contratos. Existem testes sendo feitos, mas ainda sem contratos de comercialização com essas unidades. Nossa expectativa é que tão logo consigamos os agentes financeiros que disponibilizem o financiamento para que as usinas comprem do biodigestor e o purificador — equipamentos necessários para produção do biometano — divulgaremos quais são as demais unidades que estão trabalhando em fase de testes conosco”, comentou Piazza Júnior.