11/08/2016

Pesquisa indica pessimismo no mercado de petróleo

Fonte: Valor Econômico

Os bancos estão ficando pessimistas novamente em relação ao petróleo. Analistas reduziram suas estimativas para os preços pela primeira vez em quatro meses, preocupados com a continuidade do excesso de oferta da commodity que já acabou com os ganhos conquistados este ano pelo mercado.

Uma pesquisa realizada pelo The Wall Street Journal com 13 bancos de investimentos prevê que o preço do Brent, referência para o mercado internacional, ficará na média de US$ 56 por barril em 2017, mais de US$ 1 abaixo do resultado da pesquisa de junho. Os bancos esperam que o preço do petróleo referencial dos Estados Unidos, o WTI, seja negociado em uma média de US$ 55 por barril no próximo ano, também quase US$ 1 mais baixo do que o valor indicado na pesquisa anterior.

Os preços do petróleo quase dobraram no início do ano com expectativas de que a queda na produção americana ajudaria a reduzir o excedente da produção que tem afetado o setor nos últimos dois anos. Mas o impulso definhou nas últimas semanas, já que grandes petrolíferas aumentaram sua produção e os estoques de gasolina continuam a crescer.

“Ainda há muito combustível no mercado e o sentimento é bem pessimista”, diz Michael Wittner, analista chefe de petróleo do Société Générale SA. Segundo ele, por ora, o petróleo encontra menos resistência para cair.

O petróleo americano entrou em uma tendência de baixa na semana, caindo para menos de US$ 40 por barril pela primeira vez desde abril. Ontem, o preço do WTI para entrega em setembro negociado em Nova York fechou a US$ 42,77 por barril. O Brent fechou cotado a US$ 44,98.

De acordo com a pesquisa, os bancos estimam que os preços do petróleo fiquem abaixo de US$ 50 por barril até dezembro e atinjam US$ 60 por barril até o fim de 2017. Há cerca de um ano, muitos dos mesmos bancos previam que os preços do petróleo chegariam a mais de US$ 70 este ano.

No fim de julho, os fundos de hedge e outros investidores especulativos reduziram suas apostas de alta nos contratos futuros de petróleo Brent para seu menor nível em mais de cinco meses, segundo dados da Intercontinental Exchange Inc.

divulgados na semana passada. Há duas semanas, investidores que especulavam com o petróleo americano fizeram com que as apostas na queda da commodity crescessem quase 15 vezes mais do que as apostas em sua alta, segundo dados da Comissão de Negociações de Futuros de Commodities, a CFTC.

Um dos principais culpados para a reversão nos preços do petróleo é o crescente excedente global de gasolina. As refinarias se beneficiaram da queda dos preços do petróleo para realizar muitas aquisições a valores baixos nos últimos dois anos. O consumo não conseguiu acompanhar o novo volume de produção, levando a um estoque mundial quase recorde de 500 milhões de barris, segundo o Citigroup Inc.

Poucos produtores de petróleo, contudo, mostram sinais de estar cortando a produção. A da Rússia está perto do seu nível mais alto pós União Soviética, registrado no início do ano. A produção do Canadá e da Nigéria, onde uma série de interrupções tirou do mercado cerca de três milhões de barris por dia no primeiro semestre, agora está se normalizando.

Embora a produção americana de petróleo continue caindo há duas semanas ela recuou para 8,5 milhões de barris por dia, ante 9,5 milhões no mesmo período do ano passado, segundo dados oficiais, algumas empresas elevaram sua atividade nas últimas semanas.

No fim de julho, a empresa de serviços petrolíferos Baker Hughes Inc. divulgou que o número de sondas que exploram petróleo nos EUA chegou a 374, um aumento de três novos poços. Foi a quinta semana consecutiva de crescimento nesse número. Isso pode desacelerar a queda na produção e até levá-la a crescer novamente, dizem analistas.

“O prazo para o reequilíbrio do mercado sofreu um lapso nas últimas semanas, através de uma combinação de crescimento fraco da demanda, uma rápida recuperação da oferta da Nigéria e uma produção mais forte que o esperado da Arábia Saudita, Rússia e outros”, escreveram analistas do banco J.P. Morgan em um relatório recente.

Preocupações com a economia global também turvaram o cenário do petróleo. Analistas dizem que a decisão inesperada do Reino Unido, em junho, para deixar a União Europeia pode ter efeitos em cadeia na demanda por petróleo na Europa, considerando o provável impacto na economia regional.

Ainda assim, poucos analistas esperam que os preços caiam abaixo de US$ 30 por barril, valores registrados no primeiro trimestre do ano e entre os mais baixos em décadas. Na ocasião, o excedente global atingiu seu maior nível.

“O mercado global está voltando ao equilíbrio na segunda metade do ano e começo do próximo”, diz Wittner, do Société Générale, que espera que os preços mais baixos do barril de petróleo fiquem entre U$ 35 e US$ 40. “Não vai ficar caindo para sempre.”