08/08/2016

Petrobras quer integração com BR mesmo após venda

Fonte: Valor Econômico

Além de preservar a marca BR, a Petrobras pretende garantir, no processo de venda da BR Distribuidora, que a empresa mantenha um certo grau de integração com as operações da holding. Uma das possibilidades avaliadas internamente é incluir, no acordo de acionistas a ser negociado com o novo sócio, um compromisso de compra de um volume mínimo de derivados produzidos nas refinarias da estatal.

Segundo uma fonte a par do assunto, a proposta está sendo estudada dentro da diretoria de refino e gás natural da Petrobras. A ideia é que a BR continue a funcionar como um ativo importante dentro da estratégia de escoamento do parque de refino da petroleira.

A Petrobras tenta assegurar também que não venha a perder mercado, no futuro, para importadores. Durante as negociações passadas para a venda de uma fatia minoritária da BR, a Vitol, uma trading suíça, manifestou interesse. Isso despertou o temor de que a distribuidora brasileira viesse a se tornar uma grande importadora de combustíveis da companhia europeia.

A BR é importante fonte de escoamento da produção de derivados da estatal e comercializa, hoje, um volume de diesel equivalente a 38% da produção nacional do derivado, por exemplo.

Outra fonte consultada pelo Valor, no entanto, afirma que o assunto ainda não é consenso dentro da estatal e que a proposta de fixação de um volume mínimo de compra de combustíveis da Petrobras nunca passou pelo conselho de administração da petroleira.

No fim de julho, ao anunciar a mudança no modelo de venda da BR, a estatal já havia sinalizado que pretendia “manter a operação integrada na cadeia de petróleo”. “O modelo que está sendo proposto é manter a BR integrada. Capturamos mais valor da BR se ela continuar sendo uma empresa integrada”, disse a gerente-executiva de aquisições e desinvestimentos da estatal, Anelise Quintão Lara, durante teleconferência com jornalistas, para esclarecer o novo modelo de negócios da distribuidora.

Ela explicou, na ocasião, que a opção por vender o controle da distribuidora tem por objetivo “maximizar o valor do negócio”. E defendeu, ainda, a manutenção da marca. “Com relação às questões estratégicas, um exemplo que a gente coloca sempre é a questão da marca. A marca BR é uma marca muito poderosa, é a marca da Petrobras. Então a gestão dessa marca é uma questão estratégica à Petrobras”, afirmou.

No dia 22 de julho, a Petrobras decidiu reiniciar o processo de venda de sua subsidiária e abrir a possibilidade de alienação da maioria do capital votante da BR. A estatal informou ao mercado que o novo processo de venda aprovado para a BR prevê a busca de parceiros com os quais a companhia compartilhará o controle da distribuidora, numa “estrutura societária que envolverá duas classes de ações – ordinárias e preferenciais – de forma que a Petrobras fique majoritária no capital total, mas com uma participação de 49% no capital votante”.

Detalhes sobre o “controle compartilhado”, segundo a empresa, serão incluídos numa minuta de acordo de acionistas que será apresentada aos compradores interessados. A expectativa é que esse acordo seja discutido ainda neste mês.

Anelise justificou que a mudança no modelo de venda da BR foi feita para “refletir a expectativa do mercado”. Segundo ela, das três ofertas recebidas pela Petrobras para compra da distribuidora, duas propunham a compra do controle da subsidiária.

A ideia da Petrobras é aproveitar as “lições aprendidas” na primeira tentativa de venda de sua distribuidora para ganhar agilidade no plano de desinvestimentos. A expectativa da estatal é receber as novas propostas vinculantes pela BR em 2016 e concluir a venda da distribuidora até o início do próximo ano. A companhia, no entanto, mantém a meta de obter US$ 14,4 bilhões neste ano com a venda de ativos.