06/09/2016

Existe risco de ruptura da cadeia de fornecedores eólicos, alerta Gamesa

Fonte: Canal Energia

A cadeia de fornecedores de equipamentos para o setor eólico no Brasil é o elo mais frágil do setor. Existe uma ameaça de que se não houver a retomada da contratação de energia proveniente da força dos ventos em 2017 os cerca de mil fornecedores de produtos e serviços para os fabricantes de aerogeradores no país correm risco e, consequentemente toda a cadeia de produção. Essa necessidade é de cerca de 3 GW ao ano, o que representaria um volume médio de 500 MW para os seis fabricantes instalados por aqui.

O presidente da Gamesa, Edgard Corrochano, afirmou que poderá ser vista uma ruptura nos fornecedores dos fabricantes porque essas empresas dependem diretamente da demanda por equipamentos no setor e essa demanda provém da contratação de parques eólicos. “Nós, fabricantes, não sofremos tanto na cadeia porque temos receitas de operação e manutenção de parques o que nos dá certa previsibilidade de receita. Os mais vulneráveis são nossos fornecedores”, explicou ele após participar da edição 2016 da Brazil Windpower.

A necessidade, segundo o executivo, é quase imediata, não pode passar de 2017 porque senão há o surgimento de um buraco na ocupação das fábricas que acaba por nem mesmo ser suficiente para arcar com as despesas anuais do setor. O volume para alcançar o break even é de 500 MW, uma vez que o processo de produção é intenso de mão de obra e por isso apresenta altos custos.

“O problema é com a cadeia de mil fornecedores para os fabricantes de aerogeradores e que não têm receita recorrente que temos com operação e manutenção. Essa situação pode criar uma ruptura e depois, para recuperar isso, custa tempo e dinheiro. Mas sou otimista e acho que o governo tomará a decisão certa e a cadeia se manterá ao ponto de chegar a um custo competitivo e criar no Brasil condições até mesmo para exportar”, disse ele que estimou conseguir essa condição em dois ou três anos caso o câmbio também se mostre favorável.

Atualmente a empresa possui 1 GW em seu backlog de entregas, que deverá ocorrer em 15 meses. Além disso, a companhia já registra outros 2 GW em capacidade instalada em operação no Brasil. Apesar da situação, Corrochano lembrou que o Brasil vive na verdade o momento de três anos atrás da economia quando a atual crise ainda não se fazia presente e a demanda por energia estava em alta. Por isso, disse, a indústria do setor continua bastante ocupada. Essa discussão feita hoje é para pensar o setor em 2018 e 2019 e garantir a sustentabilidade da cadeia nesse horizonte de tempo.

O presidente da Gamesa também toma como base para justificar a necessidade de contratação de energia nesse leilão de reserva o estudo da ABEEólica acerca dos riscos de falta de energia caso haja crescimento da economia já em 2018. Entre os benefícios de priorizar a fonte está o fato de que é a segunda mais competitiva dos leilões e que pode entrar em operação de forma rápida. Além disso, argumentou que a eólica é complementar à hidrelétrica e que por isso faz sentido termos o volume total de 4 GW sendo 75% desse montante de eólicas.