16/09/2016

Japão quer adaptar programa de eficiência energética para o Brasil

Fonte: SEEM

Apresentação feita na Secretaria de Energia e Mineração faz parte da parceria iniciada entre Brasil e Japão em 2014

Após o acidente nuclear de Fukushima provocado por um tsunami em 2011, o Japão encerrou a operação de 50 usinas nucleares em todo país e reduziu seu potencial de geração elétrica em 23%. A busca pela eficiência energética dos aparelhos elétricos, no transporte e no consumo industrial e residencial foi impulsionado e se tornou um objetivo de governo. A estrutura desse programa adotado pelos japoneses foi apresentado nesta quinta-feira, 15 de setembro, na sede da Secretaria de Energia e Mineração do Estado de São Paulo.

“Neste momento em que trabalhamos intensamente para a inserção do gás como fonte de energia de transição para as fontes renováveis, esta experiência do uso racional de energia é muito oportuna e colabora com o que estamos fazendo no Estado de São Paulo”, disse o secretário de Energia e Mineração, João Carlos Meirelles.

Organizado em três pilares estruturantes o programa de eficientização japonês vem conseguindo reduzir gradativamente o consumo de energia no país. A primeira iniciativa foi criar um sistema de gestão de energia baseado no ISO 50.001. Foi realizado também um trabalho estratégico de conscientização do consumo no horário de pico onde o governo conseguiu reduzir a demanda em 15%.

A segunda ação adotada pelos japoneses foi regulamentar a economia de energia de acordo com a realidade regional dos estados. Foram criadas políticas para apoio financeiro, técnico e incentivos fiscais para os setores industrial, comercial, transporte e residencial. Todos os consumidores receberam metas de redução. Gestores de energia foram certificados e colocados para trabalhar nas empresas. Um padrão de etiquetagem dos aparelhos eletroeletrônico foi adotado, ao todo 31 produtos são monitorados pelo programa.

Por fim, um guia prático e fácil com um check list foi desenvolvido e distribuído para uso da população e empresários. “O consumo de energia no Brasil e no Japão é parecido. Nós podemos ensinar e temos muito para aprender com vocês”, disse o gerente geral do Energy Conservation Center Of Japan, Kazuhiko Yoshida.

Para o desenvolvimento do uso racional de energia no Brasil, Yoshida propõe a criação de um workshop intensivo para discutir as leis e alinhar a regulamentação nacional e estadual. A apresentação, que também será feita para os Ministérios de Minas e Energia e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, recebe o apoio da Abrace (Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres) e da CNI (Confederação Nacional das Industrias).

As ações japonesas apresentadas serão utilizadas pelo grupo estadual que discute o Uso Racional da Energia e inserida no novo Plano Paulista de Energia, que está sendo atualizado pela equipe da Secretaria de Energia e Mineração.

Participaram também da reunião o secretário-adjunto de Energia e Mineração, Ricardo Toledo, Henrique Ferraz, subsecretário de Energia Elétrica e Ricardo Guedes, técnico da pasta. A Assessora Especial para Assuntos Internacionais do Governo do Estado, Ana Paula Fava e a assessora de Cooperação Internacional, Irina Frare Cezar, acompanharam o encontro. Hugo Yamaguchi da Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo e Eduardo Saggiorato da Desenvolve SP, também estiveram presentes. Pela Abesco (Associação Brasielira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia), participou Alexandre Moana.

Acompanhou ainda os trabalhos Marcelo Mesquita da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento, Marcos Veloso Oliveira da AES Ergos e o diretor da Companhia Paulista de Força e Luz, Juliano Garcia Campos.