21/09/2016

Planejamento de longo prazo e ambiente institucional adequado são essenciais para matriz energética sustentável

Fonte: Unica

Na sexta-feira (16/09), a revista CartaCapital promoveu em São Paulo mais um seminário da série ‘Diálogos Capitais’, desta vez com o tema Energia Limpa.

O painel sobre desafios e oportunidades para as energias contou com as presenças do gerente em Bioeletricidade da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Zilmar de Souza, do presidente da Efficientia (grupo Cemig), Alexandre Lisboa, e do gerente da área de Comercialização de Energia da Eletrobras, Márcio Drummond. Os especialistas discutiram a importância do planejamento energético e definição do papel das fontes renováveis na matriz elétrica do Brasil.

A complementaridade das fontes biomassa, eólica e solar, também chamadas de trinca de ouro por Zilmar, foi bastante discutida. O representante da UNICA destacou que a bioeletricidade canavieira deve fazer parte, de forma mais abrangente, de um portfólio amplo de geração de energia pelas renováveis.

“Hoje existem cerca de 360 usinas sucroenergéticas que geram energia a partir da biomassa para consumo próprio, o que já é muito relevante. Desde 1987 o excedente é ofertado ao Sistema Integrado Nacional (SIN). Ano passado, esta fonte foi a terceira maior em termos de geração, perdendo apenas para o gás natural e a hidrelétrica. A bioeletricidade da cana é muito estratégica para o País”, comentou Zilmar.

A conquista é fruto de investimentos realizados principalmente em 2008, quando houve uma política de incentivo a biomassa, proporcionando a contratação forte e contínua da fonte nos leilões regulados. Isso resultou na inserção de 1.750 megawatts novos no SIN em 2010. Este recorde histórico da bioeletricidade ocorreu devido às boas vendas nos leilões em 2008. Porém, por conta da política de contratação oscilante – conhecida como stop and go – que começou em 2009, os investimentos desaceleraram e este ano apenas 800 megawatts novos deverão ser incorporados ao sistema. E a expectativa é de que o número chegue entre 100 e 150 megawatts anuais no fim desta década.

Para Zilmar, o leilão ainda é a principal porta de entrada para uma fonte de energia no sistema. Por isso é fundamental construir um ambiente institucional adequado, e o momento de eventual sobrecontratação de energia no sistema indicaria que esta seria a melhor oportunidade para se repensar o planejamento setorial. O executivo observa com bons olhos declarações recentes do presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Luiz Barroso, de que a entidade estudará como os certames podem estimular novas tecnologias e de que não terá preconceito em avaliar outras ideias para o aprimoramento dao planejamento setorial.

“Um plano voltado a estimular novos processos e tecnologias como o aproveitamento da palha e do biogás, o retrofit das usinas existentes, com leilões por submercado ou por fonte, são conceitos interessantes para a nova equipe da EPE avaliar”, disse Zilmar.

A preocupação com a intermitência da geração de energia pelo vento e pelo sol também foi assunto do debate. Zilmar foi categórico em afirmar que “a biomassa é sazonal, mas com uma geração regular e previsível durante a safra. Desta forma, não é considerada intermitente pelos especialistas do setor elétrico.” Para o executivo, isto é muito importante, dado o compromisso para reduzir emissões de gases de efeito estufa assumido pelo Governo Federal na Conferência do Clima, em Paris (COP21), no fim do ano passado; expansão significativa das fontes biomassa, eólica e solar até 2030.

“As metas indicam a necessidade de uma matriz elétrica cada vez mais sustentável. Ao mesmo tempo, teremos que lidar com a intermitência das fontes eólica e solar. Por conta da estabilidade e previsibilidade da geração da biomassa, é importante planejar e pensar em termos de um portfolio de renováveis, incluindo a fonte canavieria, para garantir a sustentabilidade da matriz e ajudar a mitigar a intermitência na geração,” avaliou Zilmar.

Alexandre Lisboa e Márcio Drummond também reforçaram a importância do fator ambiental na geração de energia e da complementaridade das fontes renováveis com a hídrica. “Não há competição entre as fontes renováveis. Todas são necessárias e bem-vindas. Não existe energia completamente limpa e sem impacto. É preciso analisar todo o ciclo de vida e produção de cada uma para escolher a de menor custo ambiental possível”, concluiu o executivo da Efficientia.