19/09/2016

SP autoriza queima controlada da palha para combater a mosca-dos-estábulos

Fonte: UDOP

Foi publicado no último sábado (17) no Diário Oficial do Estado de São Paulo uma resolução conjunta das Secretarias de Agricultura e Meio Ambiente de São Paulo autorizando a queima da palha da cana-de-açúcar em áreas atingidas pelo surto de “moscas-dos-estábulos”. A queima controlada é um instrumento fitossanitário, em caráter emergencial e excepcional, para o controle da proliferação desse inseto.

O interessado, proprietário ou responsável pela área, que apresente condições favoráveis para proliferação da mosca-dos-estábulos, deve solicitar à Secretaria de Agricultura e Abastecimento laudo técnico sobre a viabilidade da queima controlada com essa finalidade. Esse procedimento realizado pelos técnicos da Secretaria leva até 10 dias úteis. Eles emitirão um laudo atestando a necessidade de se fazer o uso da queima ou não.

A autorização para a realização da queima controlada como medida fitossanitária será emitida pela CETESB – Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, com base no laudo técnico emitido pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento.

Reuniões técnicas

O secretário de Agricultura do estado de São Paulo, Arnaldo Jardim vem liderando a realização de uma série de discussões técnicas em diversas regiões do estado, visando enumerar ações que possam mitigar o aparecimento das moscas-dos-estábulos.

Destes encontros e de inúmeras reuniões lideradas por Arnaldo Jardim, surgiu a ideia da presente resolução, que tem caráter excepcional, e de grande eficácia, segundo os técnicos ouvidos até então, para o controle do inseto.

Surto de mosca-dos-estábulos

A proliferação da mosca-dos-estábulos tem causado prejuízo para pecuaristas do estado de São Paulo, Mato Grosso do Sul e outros estados. Esse inseto causa estresse entre os animais, perda de apetite, emagrecimento e até aborto entre as matrizes.

Com o fim da queima da palha da cana e a implantação da colheita mecanizada em todas as usinas, a mosca-dos-estábulos encontrou uma condição propícia para se multiplicar: a palhada sobre a qual é despejada a vinhaça.

Outras medidas

A queima controlada da palha da cana é uma alternativa no combate à mosca-dos-estábulos. As Secretarias recomendam também, no caso das usinas:

-Evitar a aplicação de vinhaça em locais previamente encharcados pela chuva, prevenindo empoçamentos;
-Reduzir ou fracionar a lâmina de aplicação de vinhaça, evitando o excesso de umidade na palhada;
– Realizar escarificação/subsolagem da palha antes da aplicação da vinhaça, permitindo sua rápida absorção pelo solo;
-Prevenir vazamentos e empoçamentos através da modernização e manutenção da infraestrutura de distribuição e aplicação de vinhaça;
– Vistoriar as áreas após aplicação de vinhaça em até 48 horas para verificar possíveis locais de empoçamento e tomar providencias imediatas para a sua completa drenagem;

Outras sugestões:

-Revolver todo o material da torta de filtro duas vezes por semana de modo a obter uma mistura homogênea e evitar o acúmulo de umidade na base das leiras, para tanto é necessário regular a altura das leiras e o equipamento, de modo que o mesmo se mantenha rente ao solo durante a operação;
-Eliminar, revestir e limpar os canais abertos de distribuição de vinhaça;
-Aplicar cal/calcário em poças de vinhaça;
-Eliminar o uso de cama de frango em áreas consideradas de risco (entorno de usinas sucroalcooleiras) e outros adubos orgânicos, favoráveis ao desenvolvimento de larvas, devem ser evitados e sua utilização deve ser monitorada;
-Monitorar de forma constante a flutuação populacional utilizando armadilhas reflexíveis (alzinite) e os locais de desenvolvimento larval com armadilhas de emergências;
-Formar equipe responsável (ou contratar serviço técnico especializado) pela elaboração de procedimentos, execução e monitoramento das medidas de controle e registros das ações e ocorrências.

Para os proprietários rurais, as recomendações são:

– Adoção de princípios de boas práticas sanitárias com limpeza sistemática de dejetos animais e resíduos alimentares, principalmente em sistemas de confinamento e produção leiteira, com base no Guia de Boas Práticas Agropecuárias, publicado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de são Paulo (CATI e FEAP).
– Eliminar o uso de cama de frango em áreas consideradas de risco (entorno de usinas sucroalcooleiras) e outros adubos orgânicos, favoráveis ao desenvolvimento das larvas, devem ser evitados e sua utilização deve ser monitorada.
– Evitar o acúmulo de umidade próximo a locais de armazenamento de resíduos e dejetos, realizar a drenagem do terreno, eliminar vazamentos nos bebedouros e reservatórios de água.
– Utilização de armadilhas para controle (tipo bandeira) e outros métodos para controle.