10/10/2016

Alteração gradual e com consulta pública agrada agentes do setor elétrico

Fonte: Valor Econômico

A iniciativa do Ministério de Minas e Energia de colocar em consulta pública as mudanças na metodologia do Preço da Liquidação das Diferenças (PLD) foi bem recebida pelo mercado, por dar um prazo para que as empresas ajustem suas posições no mercado à vista de energia.

Segundo o cronograma estabelecido, o modelo atual de cálculo do preço será mantido em um primeiro momento, mas serão reavaliados os parâmetros de aversão ao risco, disse Roberto Castro, conselheiro da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

Essa mudança deve entrar em vigor apenas em maio de 2017, depois do período chuvoso, pois os agentes já definiram as estratégias de alocação de energia para os próximos meses. “Na prática, deve resultar em uma precificação mais próxima da realidade da operação do sistema”, disse Castro.

Ao longo de 2017, será estudada uma mudança do modelo atual (CVaR, valor condicionado em risco) com a implementação do Superfície de Aversão ao Risco (SAR). Essa alteração só deve entrar em vigor em 2018.
“Já estamos no fim de 2016. Tem muita gente com posição fechada para 2017, então é muito mais transparente e correta se tudo for feito com mais conversas e cautela”, afirmou Reinaldo Ribas, gerente de gestão de clientes do grupo Delta Energia.

Segundo Castro, a mudança prevista para 2018 é muito mais estrutural, por isso precisa da consulta ao setor. “Temos a intenção de que isso seja discutido de maneira muito ampla antes de ser tomada uma decisão”, disse.
Embora considere que a medida seja positiva do ponto de vista técnico, o diretor técnico da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), Alexandre Lopes, destacou que é importante haver uma definição clara e rápida, pois a incerteza com relação ao funcionamento dos modelos no futuro afeta a negociação de contratos de energia para os próximos anos no mercado livre.

“O mercado ficou travado nas últimas semanas, últimos meses, esperando uma definição do governo em relação ao CVaR e SAR [parâmetros de risco utilizados nos modelos]”, afirmou.
Marcelo Parodi, sócio-diretor do grupo Compass Energia, compartilha da avaliação do diretor da Abraceel sobre a indefinição dos parâmetros de risco. “Isso traz uma incerteza e uma insegurança regulatória para o mercado. E fica difícil precificar um contrato para o ano que vem”, disse.

Segundo Reginaldo Medeiros, presidente da Abraceel, a decisão do governo de só colocar a primeira alteração do PLD em vigor em maio foi prudente. “Teremos tempo para discutir isso. A decisao vem atender uma demanda dos agentes, que não gostam de ser surpreendidos”, disse.

Pelo cronograma do ministério, a primeira mudança a entrar em vigor, já em janeiro de 2017, será a unificação entre os critérios de planejamento e operação do sistema, igualando as funções de custo do déficit com a utilização de um único patamar já no começo do ano.

Além do ministério e da CCEE, também participam da Comissão Permanente Para Análise de Metodologias e Programas Computacionais do Setor Elétrico (CPAMP) o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e a Agência nacional de Energia Elétrica (Aneel).