27/10/2016

Empresa de Pesquisa Energética quer estudo para medir impacto da inserção das renováveis

Fonte: Canal Energia

Objetivo é mostrar o que deverá ser investido de modo a garantir viabilização de fontes alternativas na matriz. Estudo pode apontar para necessidade de térmicas a gás

Wind generator and solar panel

A Empresa de Pesquisa Energética quer preparar um estudo para medir o impacto da penetração das fontes renováveis na matriz elétrica brasileira. O estudo que começaria a ser feito em 2017 vai responder quanto desse tipo de energia está no sistema hoje e qual seria o investimento necessário para acomodar maiores percentuais de energias renováveis. A intenção do estudo não é de agir como fator limitador de inserção das renováveis. “É um estudo para preparar a avenida para facilitação das renováveis”, explicou o presidente da EPE, Luiz Augusto Barroso, que participou nesta quarta-feira, 26 de outubro, de painel na Rio Oil & Gas, que está sendo realizada no Rio de Janeiro (RJ).

Segundo Barroso, uma das conclusões do estudo pode ser a necessidade de mais recursos flexíveis, como usinas termelétricas. A geração de energia por UTEs entrou em evidência após serem acionadas devido o difícil regime hidrológico dos últimos anos, em especial no Nordeste. Porém ela enfrenta dificuldades na viabilização em leilões, dentre outros motivos por entraves no suprimento e nas condições de financiamento do projeto. Esse estudo é um desejo da EPE e já havia sido solicitado há dois anos pelo Banco Mundial através do projeto Meta. Confiante no “Gás para crescer”, consulta para diretrizes de gás natural que está sendo feita pelo Ministério de Minas e Energia, ele acredita que haverá uma consolidação de visão estratégica do governo sobre o insumo, discutindo com o mercado se conceitos e prazos estão adequados. Ele está abrindo discussões com os governos estaduais. “A palavra chave é conversar”, observa.

Algumas das últimas termelétricas viabilizadas em leilões A-5 estão enfrentando dificuldades na sua implantação. A Bolognesi comercializou em 2014 as UTEs Rio Grande (RS – 1.200 MW) e Novo Tempo (PE – 1.200 MW), movidas a Gás GNL. A empresa tenta postergar o início da operação dos projetos. A Agência Nacional de Energia Elétrica já pediu explicações sobre o atraso das obras das usinas e o operador Nacional do Sistema Elétrico já retirou as usinas do planejamento da operação. Barroso quer aperfeiçoar os processos de habilitação nos certames e o monitoramento das obras, de modo que caso haja algum problema na implantação dos projetos, como está acontecendo com a Bolognesi, ele seja rapidamente identificado.

O presidente da EPE ressalta que não há risco na inserção das fontes renováveis, mas que elas estão localizadas em lugares de difícil escoamento da energia produzida. O estudo serviria para dimensionar de modo adequado os investimentos necessários para essa inserção. Recentemente, nota técnica excluiu os projetos eólicos e solares da Bahia, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul do leilão de reserva por falta da margem de escoamento.