10/10/2016

Usina Henry Borden, em Cubatão, completa 90 anos

Inaugurada em 10 de outubro de 1926, hidrelétrica constituiu a principal obra do “Projeto da Serra”, empreendimento pioneiro no mundo e de grande impacto econômico, social e ambiental em São Paulo


Marco do desenvolvimento urbano e industrial de São Paulo na primeira metade do século 20, a Usina Hidrelétrica Henry Borden, antiga Usina de Cubatão, celebra nesta segunda-feira, 10 de outubro, 90 anos do início de operações. Principal obra do chamado “Projeto da Serra”, da antiga companhia de energia Light, o empreendimento realizado nos anos 1920 teve grande impacto econômico, social e ambiental e foi pioneiro no mundo à época. A construção da hidrelétrica, maior do país quando inaugurada, tinha como objetivo aumentar o fornecimento de energia para a Capital, então em crescente expansão.

Ainda operante com o maquinário original e sob a concessão da Emae – Empresa Metropolitana de Águas e Energia, o complexo Henry Borden integra duas usinas, uma externa e outra subterrânea que juntas totalizam 889 megawatts (MW) de capacidade, o que corresponde a cerca de 4% do total instalado no estado de São Paulo. A localização e as características da hidrelétrica fazem de Henry Borden uma usina estratégica para o Sistema Interligado Nacional – SIN, com capacidade de atender rapidamente as demandas do sistema, especialmente em situações de emergência, além de ter a capacidade de reinicializar o sistema em caso de black-outs, o chamado black-start, reduzindo os transtornos causados nessas situações.

Importante no passado, importante no presente, a energia elétrica gerada em Cubatão foi considerada um dos grandes fatores responsáveis pelo desenvolvimento de todo o parque industrial paulista e pela urbanização atual da Capital e de regiões do interior do estado, chegando a ter sua importância comparada ao papel exercido pelo carvão no Vale do Ruhr, na Alemanha, e pelo petróleo no sul dos Estados Unidos. Na Baixada Santista, além das profundas mudanças que provocou na paisagem, Henry Borden foi um dos fatores determinantes para a implantação do Polo Industrial de Cubatão ao garantir energia e água em abundância, essenciais para o funcionamento das indústrias instaladas. A usina mantém sua importância histórica ao garantir a confiabilidade do abastecimento de energia ao SIN. “Henry Borden é o exemplo do passado que nos inspira o futuro, suas características de inovação, empreendedorismo e contribuição para o desenvolvimento da sociedade”, comenta Luiz Carlos Ciocchi, diretor presidente da Emae.

Atualmente, a usina conta com cerca de 200 pessoas que atuam na operação e manutenção das instalações, trabalhando em turnos para manter a usina funcionando 24 horas por dia. Muitos desses funcionários já estão na terceira geração de trabalhadores da usina, tendo herdado dos pais e avós o amor pela hidrelétrica.

Essa proximidade se renova a cada ano, pois há dez anos ex-funcionários da Henry Borden têm um encontro marcado por ocasião do aniversário da usina. É uma oportunidade para reencontrar os antigos companheiros, relembrar velhas histórias e interagir com as novas gerações de trabalhadores. Momento de pura emoção que neste ano chega a sua 11ª edição.

“São 90 anos de um dos projetos mais desafiadores da engenharia nacional com a reversão do rio Pinheiros, a construção do reservatório da Billings e uma queda de 720 metros de água pelos dutos instalados na Serra do Mar. Hoje, Henry Borden funciona de maneira impecável e está apta a gerar os 889 megawatts de potência, garantindo segurança energética para as Regiões Metropolitanas de São Paulo e da Baixada Santista”, disse o secretário de Energia e Mineração do Estado de São Paulo, João Carlos Meirelles.

Usina de Cubatão e o Projeto da Serra
Em 1925, tinha início na Serra do Mar, em Cubatão, a construção da Usina Henry Borden, o mais audacioso e polêmico projeto de geração de energia da Light, responsável pela implantação dos serviços de eletricidade na Capital em 1900, como a iluminação pública e o transporte por bondes elétricos.

“A ideia do empreendimento surgiu quando a Light passou a ter dificuldades para atender a demanda por energia em São Paulo. Além da crescente industrialização paulistana, que exigia cada vez mais eletricidade, a situação piorou com a eclosão da Revolução de 1924 e a prolongada seca que aconteceu no mesmo ano. A crise hídrica levou à redução do fornecimento de energia em cerca de 70%. Dessa forma, a Light iniciou estudos para a construção de uma nova hidrelétrica nas proximidades de São Paulo”, explica Isabel Regina Felix, historiadora da Fundação Energia e Saneamento.

Instituição sem fins lucrativos, a Fundação administra grande parte da documentação da companhia Light, incluindo mais de 200 imagens que registram as obras e o desenvolvimento do “Projeto da Serra”.

O projeto para a construção da Usina de Cubatão foi elaborado pelo engenheiro norte-americano Asa White Kenney Billings e incluía uma proposta inovadora: a reversão do curso dos rios. A ideia era recolher as águas dos rios do planalto, que originalmente seguiam para o interior, alterar o seu curso e conduzi-las para o sopé da Serra, de forma a aproveitar o desnível de 720 metros da região e acionar as turbinas da usina para a geração de energia. O empreendimento abrangia a Usina de Cubatão, um complexo de represas, estações elevatórias, canais, túneis e tubulação adutora.

Por meio de constantes ampliações que culminariam na instalação de 14 unidades geradoras, o projeto de Henry Borden teve sua potência de geração de energia aumentada ao longo das décadas – contando, ainda, com a construção de uma usina subterrânea entre 1952 e 1956 –, até ser finalizado em 1961. A Usina de Cubatão – que teve seu nome alterado para Henry Borden em 1964 em homenagem ao presidente da Light que, sob sua gestão aumentou a potência instalada da empresa de 700 MW para 2.200 MW – foi inaugurada em 10 de outubro de 1926.

Sobre a Emae
A Emae – Empresa Metropolitana de Águas e Energia é uma empresa de capital aberto, cujo controle pertence ao Estado de São Paulo. É detentora e operadora de um sistema hidráulico e gerador de energia elétrica, localizado na Região Metropolitana de São Paulo, Baixada Santista e Médio Tietê, com capacidade total instalada de 935 MW. A Empresa possui, também, uma usina termoelétrica na Capital, atualmente arrendada para a Baixada Santista Energia – BSE e uma subsidiária integral denominada Pirapora Energia, detentora da Pequena Central Hidroelétrica Pirapora, de 25 MW de potência instalada.

Sobre a Fundação Energia e Saneamento
Criada em 1998, a Fundação Energia e Saneamento pesquisa, preserva e divulga o patrimônio histórico e cultural dos setores de energia e de saneamento ambiental. Atuando em várias regiões do Estado de São Paulo, por meio da Rede Museu da Energia (São Paulo, Itu e Salesópolis) e do Núcleo de Documentação e Pesquisa, realiza ações culturais e educativas que reforçam conceitos de cidadania e incentivam o uso responsável de recursos naturais, trabalhando nos eixos de história, ciência, tecnologia e meio ambiente.

As ações de 2016 da Fundação Energia e Saneamento (Rede Museu da Energia e Núcleo de Documentação e Pesquisa) têm o patrocínio, via Lei Rouanet/MinC, das empresas AES Eletropaulo, Comgás e CPFL Energia.