01/11/2016

Bandeira amarela na conta de luz terá impacto pequeno sobre IPCA no mês

Fonte: Valor Econômico

bandeira amarela

A volta da bandeira tarifária amarela terá impacto de cerca de 0,1 ponto percentual no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de novembro e de 2016, segundo economistas ouvidos pelo Valor. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou o retorno da cobrança adicional de R$ 1,50 a cada 100 quilowatt-hora (kWh) consumidos na última sexta-feira, depois de sete meses de bandeira verde, sem custos adicionais na conta de luz.

A mudança gerou revisões para cima nas projeções para o indicador oficial de inflação, mas o efeito de alta no IPCA é pequeno e, por isso, não chega a atrapalhar o processo de desinflação, dizem analistas. Com peso de 3,5% no indicador do IBGE, a tarifa de eletricidade residencial acumula redução de 7,68% de janeiro a setembro.

Com o acionamento da bandeira amarela, a projeção da LCA Consultores para a alta do IPCA em novembro passou de 0,29% para 0,38%. Para 2016, a expectativa também foi revista para cima, de 6,79% para 6,9%. A alteração é uma pressão de custos momentânea e não modifica a trajetória de desaceleração da inflação, afirma o economista Fabio Romão, embora o IPCA não deva convergir ao centro da meta, de 4,5%, já em 2017.

Romão destaca que outros fatores afetam os preços da energia além do sistema de bandeiras, como as revisões tarifárias de distribuidoras, que, em novembro, terão impacto deflacionário. Em Goiânia, as tarifas da Celg-D para consumidores de baixa tensão tiveram queda de 8,85% a partir do último dia 23. Também referente ao mesmo período, a Bandeirante Energia reduziu em 19,51% as tarifas para clientes de parte da região metropolitana de São Paulo.

Por conta dos dois reajustes negativos, a tarifa de energia elétrica residencial registraria deflação em novembro, diz André Muller, economista da AZ Quest, não fosse o acionamento da bandeira amarela, que deve elevar em 1% esses preços no período. Após o anúncio da Aneel, Muller ajustou de 0,35% para 0,45% sua estimativa para o aumento do IPCA este mês. “Havia o risco, mas a bandeira amarela não era esperada para novembro”, disse.

A previsão para a alta do indicador no ano também subiu 0,1 ponto, para 7%. Mesmo tendo mudado projeções, o economista afirma que a volta da bandeira amarela tem pouca relevância para o cenário inflacionário no ano. Uma possibilidade é que essa alteração ajude, ainda que pouco, a inflação de energia no ano que vem, diz Muller, já que para 2017 a expectativa é de retorno da bandeira verde.

Márcio Milan, da Tendências Consultoria, já trabalhava com a volta da bandeira amarela no fim deste ano, mas em dezembro. Por isso, a previsão para a alta do IPCA no ano, de 6,9%. O impacto da mudança, estimado em cerca de 0,15 ponto no indicador, foi transferido para novembro, diz.