23/11/2016

Caminhão de lixo elétrico da BYD vai usar energia gerada em aterros

Fonte: Valor Econômico

Ninguém gosta de ficar perto de um caminhão de lixo. Mas em Indaiatuba, esse tipo de veículo transformou-se quase numa atração. Nessa cidade do interior de São Paulo parte do lixo é coletado e compactado por um caminhão elétrico. O veículo é produzido por uma montadora chinesa, a BYD, sigla de Build your dreams (construa seus sonhos) e veio da China. Mas a direção da empresa prepara-se para começar a produzi-lo em Campinas (SP), onde já fábrica ônibus e painéis solares.

Ver o lixo ir embora sem ruído ou poluição é algo que encantou não apenas a população e o pessoal que faz a coleta como o prefeito eleito da cidade, Nilson Gaspar (PMDB), que fez questão de pegar uma carona no veículo. “Não faz barulho nenhum”, diz Gaspar, ex-secretário urbano e de meio ambiente e que em janeiro deixará o cargo de superintendente do serviço de água e esgotos da cidade para assumir a prefeitura. Gaspar vê vantagem principalmente na coleta noturna.

Além da bateria produzida pela própria BYD, o caminhão que começou a rodar em Indaiatuba, há cerca de três semanas, ganhou um compactador hidráulico para armazenar os resíduos recolhidos.

Com duas horas de recarga numa tomada, o veículo alcança autonomia para oito horas de operação. Além disso, a própria frenagem, uma ação rotineira em qualquer caminhão de lixo, ajuda a recarregar a bateria.

E mais energia poderá vir do próprio lixo a partir da primeira metade de 2017. “A energia gerada em aterro sanitário poderá ser usada para abastecer veículos elétricos, fechando um ciclo totalmente sustentável”, afirma o diretor de vendas e infraestrutura da BYD no Brasil, Carlos Roma.

O caminhão de Indaiatuba foi comprado pela Corpus, uma empresa de saneamento. O valor não foi revelado. Mas o diretor operacional da Corpus, João Paschoalini, diz que a economia com a operação e manutenção tende a compensar o valor mais elevado que o de um veículo convencional. “Temos pesquisado alternativas mais sustentáveis”, afirma o executivo, que pretende ampliar a frota. Os motoristas da Corpus receberam treinamento especial.

Roma diz que a BYD está na fase de negociação com mais empresas. A perspectiva é que somente com dez ou vinte encomendas, que podem ser fechadas em breve, segundo ele, a montadora consiga escala suficiente para instalar uma linha de produção do caminhão na fábrica que já possui em Campinas. O executivo estima que, em cinco anos, seria possível alcançar produção anual mínima de 800 unidades do novo caminhão.

E se no caso do automóvel elétrico a necessidade de ampliar a infraestrutura no país é motivo para postergar planos, no caso dos veículos pesados essa questão não preocupa, diz Roma, já que em muitas atividades o trabalho é repetitivo e restrito a uma área. “No Brasil, setores como o de cana de açúcar e mineração são propícios para receber veículos elétricos”, afirma Roma.

Fundada em 1995, na cidade chinesa de Shenzhen, a BYD é uma das maiores produtoras de veículos elétricos e de baterias recarregáveis do mundo. No Brasil há dois anos, a empresa anunciou plano de investir no país, até 2018, cerca de R$ 150 milhões na produção de painéis solares e mais R$ 250 milhões na área automotiva, que hoje faz chassis de ônibus e baterias.