11/11/2016

Dessalinização da água não avança no país

Fonte: Valor Econômico

Nem a escassez hídrica parece capaz de impulsionar projetos de inovação em sistemas de dessalinização da água no Brasil. “Falta planejamento e coragem para enfrentar o risco para que o país saía da dependência tecnológica na implantação de plantas de dessalinização”, diz Cristiano Borges, professor de engenharia química da Coordenação de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ). A saída aponta para os oceanos, que cobrem mais de 70% da superfície da Terra e contêm 97% da água do planeta.

Os governos de São Paulo e do Rio de Janeiro chegaram a anunciar a intenção de construir usinas de dessalinização. A ideia era formar parcerias público-privadas para desenvolver os projetos. A estimativa inicial era de investimentos de R$ 1,5 bilhão. “A Sabesp informa que está continuamente estudando alternativas técnicas e econômicas como a dessalinização da água. Projetos nessa área nos próximos anos não estão descartados, faltando, porém, definições para a sua adoção”, informa nota da assessoria de imprensa da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo.

A Companhia de Saneamento do Paraná saiu na frente. Em junho instalou um projeto-piloto de dessalinização na Praia de Leste. O sistema de tratamento avançado de água está sendo estudado desde 2013 por técnicos da San epar e conta com apoio de pesquisadores da University of North Texas, University College London e da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). O projeto-piloto tem capacidade para produzir 1.000 litros de água tratada por hora e é composto por filtro de discos, sistema de abrandamento duplo, filtro de cartucho, sistema de filtração por membranas de osmose reversa de duplo passo, sistema de desinfecção por ultravioleta e dosadora de cloro.

No Brasil, a dessalinização é realidade apenas nas plataformas da Petrobras e na ilha de Fernando de Noronha, no litoral de Pernambuco. Nas unidades petrolíferas, o sistema garante a injeção de 1,8 milhão de litros de água sem sal por hora nos poços de produção de petróleo. Na ilha, abastece 80% da população – o restante do abastecimento é feito pela Barragem do Xaréu e por poços cristalinos, que dependem da regularidade de chuvas. O sistema tem dez anos e passou por reforma em 2011. Existe uma obra prevista para a melhoria da captação de água do mar e dos equipamentos de dessalinização, no valor de R$ 10 milhões, de acordo com a assessoria de imprensa da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa).

Cento e cinquenta países usam as tecnologias de dessalinização como alternativa à escassez hídrica. Existem mais de dezessete mil usinas de dessalinização em funcionamento no mundo. Elas produzem mais de 70 bilhões de litros de água por dia. Em Israel, as unidades de dessalinização garantem parte do abastecimento de água do país. A Usina de Sorek produz mais de 7 mil litros por segundo. A maior e mais eficiente unidade de dessalinização dos EUA é a de Carlsbad, na Califórnia. O projeto tem capacidade de produzir mais de 2.400 litros por segundo para abastecer mais de 500 mil pessoas.