01/11/2016

Elétricas devem ter resultados estáveis

Fonte: Valor Econômico

Apesar da demanda por energia elétrica ainda não ter se recuperado, as companhias do setor devem reportar resultados estáveis no terceiro trimestre do ano, refletindo a melhora do cenário hidrológico na comparação com o mesmo período de 2015.
A recuperação do preço de energia no mercado de curto prazo (PLD) em relação ao início do ano também deve ajudar os resultados, tanto das geradoras com capacidade descontratada quanto das distribuidoras que ainda são afetadas pela sobrecontratação de energia.

Segundo o Itaú BBA, os dados operacionais da maior parte das companhias do setor devem vir estáveis no trimestre, sem grandes reflexos nos preços das ações, que tiveram valorização intensa nos últimos meses devido ao cenário de expectativa de operações de fusões e aquisições.
Levantamento feito pelo Valor com as projeções dos bancos Itaú BBA, BTG Pactual, Santander, Morgan Stanley e JP Morgan aponta uma expectativa de resultados mistos nas principais companhias integradas do setor, como Cemig, Copel e CPFL Energia, com praticamente estabilidade no faturamento na comparação anual.

No caso das que atuam apenas – ou principalmente – em distribuição, as previsões variam.
Para a Eletropaulo, que ainda sofre com uma sobrecontratação significativa, além do aumento da inadimplência e da redução da demanda dos consumidores, a média das previsões indicam um prejuízo líquido de R$ 38 milhões, ante o prejuízo de R$ 5 milhões apurado no terceiro trimestre do ano passado. A receita líquida, por sua vez, deve cair 26,6%, para R$ 2,5 bilhões.
A Light é outra que deve ter os resultados ruins no trimestre, também por conta da redução na demanda, além das perdas por furto de energia, que continuam sendo um problema para a companhia carioca. As estimativas dos analistas apontam queda de 16,3% no lucro, para R$ 32 milhões, enquanto a receita permanecerá praticamente estável, com alta de 2%, para R$ 2,2 bilhões.

Entre as distribuidoras de energia, a Equatorial é a principal exceção. A demanda nas áreas de concessão da companhia continua em alta, justificando a projeção de lucro de R$ 189 milhões, mais que o dobro dos R$ 80 milhões apurados no mesmo intervalo do ano passado.
A demanda baixa por energia deve pressionar os resultados de distribuição das companhias integradas, como é o caso da paranaense Copel. A estatal, que divulgou os dados operacionais na semana passada, apurou queda de 9% nas vendas de energia para o mercado cativo no terceiro trimestre. Mais uma vez, a queda foi influenciada pelas classes industrial e comercial, além do reflexo da migração de clientes para o mercado livre e a desaceleração da economia brasileira.

Apesar do cenário ruim em distribuição, a companhia deve ter resultados melhores nas vendas de energia no mercado de curto prazo, segundo o Morgan Stanley. A média das projeções de analistas indica uma receita praticamente estável, de R$ 3,2 bilhões, mas o lucro deve mais que dobrar, saindo de R$ 91 milhões para R$ 258 milhões. No terceiro trimestre do ano passado, os resultados da Copel foram fortemente pressionados pelo segmento de distribuição, que teve prejuízo devido à queda na demanda e aumento de inadimplência.

No caso da Cemig, o cenário é parecido. Analistas esperam melhora no resultado, devido ao desempenho do segmento de geração e transmissão, devido à venda de energia descontratada no mercado de curto prazo. Analistas apontam queda de 3,2% na receita, para R$ 4,6 bilhões, e alta de 50% no lucro, para R$ 251 milhões.

Outra companhia integrada do setor, a EDP Energias do Brasil reportou os resultados ontem. A receita líquida caiu 1,6% no trimestre, para R$ 2,382 bilhões, refletindo a queda da demanda em distribuição, mas o lucro cresceu quatro vezes, para R$ 230,8 milhões, refletindo fatores não recorrentes.