22/11/2016

Novo Plano Paulista de Energia será apresentado em junho de 2017

Fonte: Secretaria de Energia e Mineração

Plano Estadual de Metas de Gás Canalizado foi aprovado. Gás natural é considerado o insumo de transição para as energias renováveis e deverá ser fomentado nos próximos anos

O Conselho Estadual de Política Energética – Cepe, responsável por elaborar o PPE – Plano Paulista de Energia, realizou nesta terça-feira, 22 de novembro, na sede da Secretaria de Energia e Mineração, mais uma reunião que visa estabelecer o novo PPE tendo o ano de 2030 como horizonte.

O presidente do Cepe e secretário de Energia e Mineração, João Carlos Meirelles, disse que a meta do Conselho é apresentar o novo Plano Paulista de Energia em junho do ano que vem. “Os seis comitês técnicos estão trabalhando desde abril e em mais seis meses poderemos apresentar o novo PPE”.

O principal tema do encontro desta terça-feira foi o gás natural, insumo identificado como energia de base para a transição da matriz para as energias renováveis. Durante a reunião foi aprovado o Plano Estadual de Metas de Gás Canalizado.

O representante da Secretaria no comitê técnico VI – Petróleo e Gás, Dirceu Abrahão, apresentou um panorama atual do potencial de produção de gás no Brasil e detalhou as potencialidades do insumo no Estado de São Paulo.

Foram discutidas ações que estão em curso na iniciativa privada e no governo federal como o programa Gás para Crescer, as perspectivas de suprimento, potenciais investimentos, a geração de energia elétrica por meio de termelétricas a gás natural operando na base e a introdução do biometano na rede.

O comitê técnico projetou para 2029 a expansão de gás canalizado no Estado de São Paulo, que prevê dobrar o número de municípios atendidos, passando dos atuais 143 para 285, o que compreenderia 44% das cidades paulistas, atendendo 5,2 milhões de clientes. Esse crescimento demandaria um investimento por parte das distribuidoras de R$ 12,8 bilhões nos próximos anos.

Com esses recursos a atual rede de distribuição passaria dos atuais 16 mil quilômetros para 45 mil nos próximos 13 anos, atingindo o consumo de mais de 18 milhões de metros cúbicos de gás por dia no Estado.

Esse montante poderá ser utilizado por novas termelétricas a gás. Atualmente, existem três termelétricas no Estado e há projeto de outras três, sendo duas na capital e uma em Lins, que poderão fornecer no futuro energia na base do sistema elétrico dando segurança energética para o estado de São Paulo.

Abrahão destacou também as dificuldades existentes para que o plano de utilização do gás seja cumprido. Entre os principais entraves estão a previsibilidade tarifária, continuidade das concessões para garantir os investimentos, regulação do gás natural comprimido e do gás natural liquefeito, além dos aspectos regulatório, tributário e ambiental. “Temos toda essa agenda, mas o fundamental é preparar a infraestrutura para que em 2030 o gás seja utilizado sem problemas pela indústria, comércio e residências”, afirmou Abrahão.

Outro projeto destacado pelo comitê de Petróleo e Gás é o de fomentar o uso do biometano produzido nas usinas de cana de açúcar. Segundo o estudo do comitê, 54 usinas já despacham energia elétrica para o sistema interligado nacional de e até 2029 outras 40 usinas poderão se conectar ao sistema. Além de fornecer energia elétrica essas usinas poderão aumentar o despacho de biometano em até 1 milhão de metros cúbicos por dia, com a possibilidade de utilizar na frota de caminhões, máquinas e equipamentos. “Essa ideia do biometano na frota de caminhões das usinas em motores flex diesel/gás é muito atraente”, destacou o presidente da Fapesp e conselheiro do Cepe, José Goldemberg.

Além do uso do biometano, o conselheiro e secretário-adjunto de Agricultura e Abastecimento, Rubens Rizek, apontou o gás produzido pelo lixo como um importante insumo, principalmente para o uso na frota de ônibus urbanos da região metropolitana de São Paulo. “Geramos na cidade de São Paulo 15 mil toneladas de matéria orgânica por dia. O orçamento da capital no ano que vem para enterrar essa matéria é de R$ 1,2 bilhão. Eu insisto em mexer com o orgânico. Temos que ter essa energia como prioritária juntamente com outras renováveis como a vinhaça e o biometano”, destacou.

Além do comitê técnico de Petróleo e Gás, coordenado pelo especialista Zevi Kann, o Cepe conta com outros cinco comitês com os respectivos coordenadores: Readequação e Produção do Novo Plano Paulista de Energia, Aderbal de Arruda Penteado; Legislação e Normas, Fabrício Soler; Fortalecimento das Cadeias Produtivas para Apoio às Cadeias Produtivas em Energia e Mineração, Mauro Zilbovicius; Integração com a Gestão de Recursos Hídricos, Rui Brasil Assis; Uso Racional da Energia – Energias Renováveis e Eficiência Energética, José Aquiles Baesso Grimoni.

Sobre o Cepe

O Conselho Estadual de Política Energética do Estado de São Paulo – Cepe tem como missão formular diretrizes e políticas públicas no setor energético para o Governo do Estado de São Paulo.

É integrado pelo secretário de Energia e Mineração, que o preside, pelo secretário da Casa Civil, vice-presidente, e pelos secretários de Saneamento e Recursos Hídricos, de Agricultura e Abastecimento, de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, de Planejamento e Gestão, e do Meio Ambiente.

Também fazem parte do Conselho um representante da Assembleia Legislativa, um representante da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – Fiesp, um representante da Federação do Comércio do Estado de São Paulo – Fecomercio, um representante da Federação de Agricultura do Estado de São Paulo – Faesp, um representante das Universidades Públicas do Estado, especialista no campo de energia, um representante dos Institutos de Pesquisa e até 5 (cinco) membros, de notório saber, experiência ou representatividade no campo da energia e que não tenham vínculos com as empresas concessionárias de energia.