04/11/2016

ONU alerta que mudanças climáticas podem causar ‘tragédia humana’

Fonte: Folha de S. Paulo

O planeta deve reduzir “de forma urgente e radical” as emissões de gases de efeito estufa se quiser evitar uma “tragédia humana”, alertou a ONU nesta quinta (3), às vésperas da entrada em vigor do acordo de Paris sobre as mudanças climáticas.

“Se não começarmos a adotar medidas adicionais agora, a partir da conferência de Marrakesh, terminaremos chorando ante uma tragédia humana evitável”, diz Erik Solheim, diretor do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), que publicou um relatório anual sobre a ação climática.

No novo balanço, o Pnuma destaca o aumento ininterrupto das emissões de gases.

Apesar dos compromissos voluntários adotados em Paris, o mundo se dirige, de hoje a 2100, para aumentos de temperaturas entre 2,9 °C e 3,4°C em relação aos níveis pré-industriais, o que implicaria consequências devastadoras, adverte o relatório.

Para limitar o aumento a 2°C, seria necessário emitir menos de 42 gigatoneladas do equivalente de CO² na atmosfera em 2030 (contra 52,7 em 2014). Se todos os países cumprirem suas promessas climáticas, entre 54 e 56 Gt seriam emitidos em 2030, ou seja, entre 12 e 14 Gt acima do desejável, segundo o Pnuma.

A ONU elogia a diminuição na emissão dos gases do efeito estufa, mas diz que é cedo para saber se essa tendência vai se confirmar.

Com o acordo de Paris “avançamos na boa direção. Mas ainda não é suficiente se queremos ter a possibilidade de evitar uma desregulação do clima”, destaca Solheim.

“O número crescente de refugiados climáticos golpeados pela fome, pobreza, doenças e conflitos nos lembrará de maneira incessante do nosso fracasso. A ciência mostrou que devemos agir muito mais rápido”, diz.

O relatório convida a redobrar esforços, sem esperar até 2020, ano em que os Estados começarão a aplicar os compromissos assumidos.

A comunidade internacional se comprometeu a lutar contra mudanças climáticas pelo acordo de Paris, em 2015. A 22ª Conferência da ONU sobre o Clima –com início na segunda (7)– deve começar a determinar disposições para reforçar o pacto.