29/11/2016

Tarifa de energia paga pela indústria é 7ª mais alta do mundo

Fonte: Valor Econômico

O custo de uso do sistema de distribuição para a indústria brasileira é um dos mais competitivos no contexto internacional, segundo levantamento apresentado ontem pela Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee). Por outro lado, a tarifa cobrada dos grandes consumidores – que também incorpora despesas com compra de energia, rede de transmissão e tributos – é a sétima mais alta do mundo.

O cruzamento de dados dos países, com base na taxa de câmbio média de 2015, indica que as 63 distribuidoras do Brasil cobram a tarifa média de US$ 119 por megawatt-hora (MWh) do seguimento industrial (alta tensão), com carga tributária de 7%. O ranking é liderado pela Itália, onde se pratica uma tarifa de US$ 263 por MWh, com impostos de 40%.

O Estudo Comparativo de Tarifa se limitou à análise do custo da energia pelo regime tarifário. A metodologia não considerou os preços da energia negociados no mercado livre, sujeitos a maiores variações e inferiores aos das tarifas das distribuidoras.

O fortalecimento do mercado livre é uma das prioridades do governo que, por meio do Ministério de Minas e Energia, lançou uma consulta pública para definir quais medidas serão tomadas. Na semana passada, o secretário-executivo do órgão, Paulo Pedrosa, disse, em evento na Bahia, que as mudanças não virão para que o segmento continue a cumprir um papel complementar, mas que assuma uma posição central no suprimento de energia no país.

Ontem, o presidente da Abradee, Nelson Leite, ressaltou que há indicações claras de que os preços no mercado livre devem sofrer um efeito de alta daqui para frente. Ele indicou que a elevação virá por dois motivos: os ajustes no modelo computacional que define o preço de referência da energia no mercado de curto prazo – o PLD – e a revisão ampla da geração das hidrelétricas definida nos contratos (garantia física).

Leite admite que, embora os preços no mercado de curto prazo (spot) já tenham registrado alta nos últimos meses, as distribuidoras contam com um grande volume de consumidores migrando para o Ambiente de Contratação Livre (ACL). Ele frisou que esse movimento tende a aumentar a demanda por energia livremente negociada e, por consequência, elevar os preços.

Sobre os ajustes no modelo computacional, Leite afirmou que o Operador Nacional do Sistema (ONS) usará “parâmetros mais realistas” para medir as variáveis de oferta de energia no país usadas no cálculo do PLD. Isso, disse ele, também provocará alta nos preços.

Para o presidente da Abradee, a revisão da energia oferecida pelas usinas deve provocar impacto maior no mercado livre do que nas tarifas das distribuidoras. “Estamos com sobra de energia contratada. A redução da garantia física nos beneficia”, afirmou Leite.

A pesquisa indica que, em maio, a tarifa média cobrada da indústria foi de R$ 395 por MWh. No mesmo mês, a tarifa média da classe residencial (baixa tensão) estava em R$ 224 por MWh. A entidade ressaltou que a carga tributária neste segmento é a segunda maior do mundo, com peso de 40%.