16/12/2016

Brasil estuda nova usina com Bolívia

Fonte: Valor Econômico

O consórcio Energia Sustentável do Brasil (ESBR), responsável pela hidrelétrica de Jirau, e a Eletrobras assinarão hoje memorando de entendimentos para a formalização de um futuro acordo de cooperação para o desenvolvimento de estudos do projeto hidrelétrico binacional de Guajará-Mirim, de 3 mil megawatts (MW) de capacidade, na fronteira do Brasil com a Bolívia. O projeto tem investimento estimado em R$ 15 bilhões.

O objetivo do acordo, segundo Victor Paranhos, presidente do ESBR, é auxiliar a Eletrobras, que dará suporte do ponto de vista de engenharia e ambiental à Ende, estatal boliviana do setor elétrico, a fim de acelerar os estudos do projeto básico da usina. “Com a experiência que temos em Jirau, conseguimos entregar os estudos de engenharia em 18 meses, para o projeto ser leiloado”, afirmou o executivo.

Além da geração de energia adicional para os dois países, a instalação da hidrelétrica permitirá a criação de uma malha hidroviária de 4.200 km navegáveis e a estabilização da cota do reservatório da usina de Jirau, agregando 280 megawatts (MW) médios de energia à hidrelétrica brasileira, sem custo e impactos ambientais adicionais.

Também está no radar da ESBR o apoio ao governo boliviano para o desenvolvimento do projeto de Cachuela Esperanza, de 600 MW, integralmente no país vizinho, no rio Beni, afluente do rio Madeira.

Caso o projeto de Guajará-Mirim avance, o objetivo do governo brasileiro é costurar um acordo com o governo boliviano nos moldes do Tratado de Itaipu, no qual o Brasil compartilha a operação da hidrelétrica de Itaipu com o Paraguai. Assim como o Paraguai vende parte de sua energia de Itaipu para o Brasil, a ideia é que o governo boliviano exporte uma parcela de seu volume em Guajará-Mirim. Isso porque a demanda do país boliviano é relativamente pequena.

Um ponto que ainda precisa ser solucionado diz respeito ao financiamento do empreendimento. O plano original contava com financiamento do BNDES.

A Eletrobras informou que assinou com a Ende, em abril, acordo de cooperação que estabelece as condições e mecanismos que permitem aprofundar os estudos.