07/12/2016

CPFL Renovável tem 7 GW de potencial de expansão

Fonte: Valor Econômico

Com recém completados 2 gigawatts (GW) em potência instalada em operação na carteira, a CPFL Renováveis tem mapeados mais de 7 GW em projetos para expansão, sendo 3 GW em novos empreendimentos e 4,3 GW em oportunidades para fusões e aquisições.

“O que a gente faz é ficar mapeando o mercado, vendo se conseguimos achar projetos com condições de sinergia”, disse Alessandro Gregori Filho, diretor de Novos Negócios da CPFL Renováveis, durante a cerimônia da inauguração dos complexos eólicos Campo dos Ventos e São Benedito, no Rio Grande do Norte.

Foi a entrada em operação desse projeto, de 231 megawatts (MW), que permitiu atingir os 2 GW em funcionamento. Os complexos estão divididos em nove parques, que somam 110 aerogeradores, e ficam localizados nos municípios de João Câmara, Parazinho, São Miguel do Gostoso e Touros.

Há, por exemplo, oportunidades em projetos de energia solar fotovoltaica que foram vendidos em leilões

Com isso, a CPFL Renováveis chegou a 1.260 MW de energia da fonte eólica, uma participação de cerca de 12% na capacidade instalada total dessa fonte no país. A empresa tem ainda 423 MW em pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e 370 MW de biomassa.

A cerimônia também comemorou a entrega de 2 GW em equipamentos pela Gamesa. Além de executivos da CPFL Renováveis, estiveram presentes André Dorf, presidente da CPFL Energia, e Edgard Corrochano, que comanda a Gamesa no Brasil.

Para o futuro, os planos da CPFL Renováveis envolvem manter a expansão. “Hoje temos 3 GW em um portfólio de projetos que podem ser comercializados, projetos competitivos, desenvolvidos dentro da casa com a maior tecnologia disponível”, disse Gregori. Desse total, aproximadamente 2,2 GW são de fonte eólica, com fator de capacidade acima de 54%.

A CPFL Renováveis vê ainda oportunidades em fusões e aquisições. “Temos condições de fazer bons projetos e de fazer boas aquisições”, disse Gregori, completando que, como o mercado é “muito fragmentado”, há muitas oportunidades, principalmente em projetos pequenos.

Dos 4,3 GW avaliados para possíveis aquisições, a maior parte já está em operação, mas a CPFL Renováveis não descarta comprar projetos iniciais já com contratos ou ainda em fase de construção.

Há, por exemplo, oportunidades em projetos de energia solar fotovoltaica que foram vendidos em leilões, mas que os empreendedores estão enfrentando dificuldades na sua concretização.

“Procuramos balancear rentabilidade com risco”, disse Gregori. Os projetos já em operação envolvem menor risco de execução, mas “obviamente nunca paramos o desenvolvimento orgânico”, disse. O objetivo final, disse ele, é maximizar a rentabilidade de cada projeto.

Apesar de esse ser um momento considerado favorável para os compradores, uma vez que há empresas em dificuldades financeiras e precisando vender ativos, o financiamento pode ser um obstáculo, disse Gustavo Sousa, presidente interino da CPFL Renováveis. “Esse não é um momento favorável de financiamento, isso precisar estar embutido no negócio”, disse.

A companhia, porém, está satisfeita com a manutenção das condições de financiamento do BNDES para projetos eólicos. No caso dos complexos eólicos inaugurados oficialmente agora, o BNDES financiou R$ 760 milhões do R$ 1,5 bilhão investido. Esse foi o primeiro projeto de energia voltado para o mercado livre a ter esse tipo de financiamento. Isso foi possível porque a CPFL Renováveis fechou um contrato de 20 anos com a CPFL Brasil, comercializadora do grupo. O prazo maior permitiu o equacionamento financeiro do negócio.

A entrada da chinesa State Grid no controle da empresa não é vista como um obstáculo nesse ponto. “Falamos com os bancos sobre condições de financiamento e eles falaram que pelo contrário, o poder de fogo tende a aumentar bastante com a entrada de um acionista com a força de balanço que eles têm”, afirmou Sousa.

A State Grid está concluindo a aquisição da CPFL Energia e aguardando a aprovação pela Aneel. Depois que esse processo for concluído, com a mudança no controle também da CPFL Renováveis, deve haver duas ofertas públicas de aquisição de ações voltadas aos minoritários das duas empresas.

Para o leilão de energia de reserva (LER) de 19 de dezembro, a CPFL Renováveis tem projetos habilitados, mas vê como problema a questão da conexão. Segundo Gregori, a empresa tem projetos com capacidade de escoamento. “O problema são as condições. As vezes, a linha está pouco longe do ideal”, disse.